'Dengue demorou 20 anos. Zika se disseminou em um', afirma pesquisador

29/01/2016 - O médico Pedro Fernando da Costa Vasconcelos do Instituto Evandro Chagas, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, que é referência em doenças tropicais, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que'a dengue demorou 20 anos. A zika se disseminou em um'.
O pesquisador será um dos representantes do Brasil na reunião da próxima segunda-feira (1º) com a Organização Mundial da Saúde (OMS), na Suíça, que tratará do vírus zika e poderá decretar emergência internacional. O especialista afirmou que, frente à velocidade de disseminação do vírus pelo continente americano, é natural que a organização decrete esse nível de alerta.
De acordo com Pedro Vasconcelos, os especialistas ainda não veem formas para frear a disseminação do vírus. "O zika, em um ano, basicamente, já se disseminou por 24 países. Em torno de 350 milhões a 400 milhões de pessoas estão sob risco desse vírus. E não se vê uma maneira de frear", disse o pesquisador.
Segundo Pedro Vasconcelos, os pesquisadores até agora só possuem hipóteses que apontam para a disseminação rápida do zika vírus. "A espécie do mosquito Aedes aegypti tem diversas linhagens populacionais e é possível que a atual linhagem que está circulando no Brasil seja a que mostrou melhor capacidade de ter a receptividade do vírus e a transmissibilidade para os humanos. Mas isso ainda é uma hipótese, uma especulação", afirmou.
A reunião convocada pela OMS para discutir o zika vírus ocorre na próxima segunda-feira (1º). Para o pesquisador, caso haja o decreto de emergência "serviria tanto como um alerta para os países se protegerem quanto para os ministérios tomarem atitudes mais drásticas no combate vetorial ao Aedes aegypti", disse.
O médico ainda afirmou que o Instituto Evandro Chagas apresentará estudos que ligam o zika vírus à microcefalia. "Vamos apresentar alguns achados que apontam a ligação do zika com a microcefalia. Em novembro, nós aqui do Instituto Evandro Chagas detectamos o vírus zika no tecido de uma criança que nasceu e, em seguida, morreu com a microcefalia. A partir desse relatório, tem vários outros resultados que reforçam esses achados em outras crianças analisadas, afirmou Pedro Vasconcelos.

Redação Web
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