Governo confirma criação de órgão para fiscalizar futebol brasileiro

20/01/2016 - O governo publicou no Diário Oficial da União desta quarta-feira (20) o decreto da criação do APFUT (Autoridade Pública de Governança do Futebol), um órgão do Ministério do Esporte para fiscalizar o cumprimento das obrigações da MP do Futebol pelos clubes e entidades esportivas. De acordo com o decreto, a APFUT será formada pelos ministérios da Fazenda, do Trabalho e do Esporte, além de atletas de futebol profissional, dirigentes de clubes,treinadores, árbitros e entidade de fomento ao desenvolvimento da modalidade. O presidente do órgão ainda será nomeado pela presidente Dilma Rousseff.
Sancionada por Dilma em agosto de 2015, a MP estabelece contrapartidas para que os clubes possam quitar seus débitos, com regras de transparência e boa gestão. Os times terão 240 meses para parcelar suas dívidas, apresentando suas Certidões Negativas de Débitos para poder participar de campeonatos oficiais, sob pena de rebaixamento para a série inferior. No entanto, só serão punidos quando o processo sobre a emissão da CND chegar à Justiça.
O clube tem de se adequar a exigências como não gastar mais de 80% da receita bruta anualcom direitos de imagem. O time deverá ainda manter investimentos mínimos na formação de atletas e no futebol feminino, entre outras medidas. No acordo fechado no Congresso para garantir a aprovação da MP, o governo conseguiu manter a exigência de contrapartidas para refinanciar as dívidas dos clubes, mas teve que beneficiar federações e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Pressionados pela "bancada da bola', formada por parlamentares com ligações com clubes e federações, e pela CBF, os deputados e senadores retiraram a obrigatoriedade de extinção do déficit financeiro dos clubes até 2021. Eles ficam autorizados a ter até 5% de déficit a partir de 2019. O percentual tem que chegar em 10% a partir de janeiro de 2017, reduzindo gradualmente até os 5%.
Na versão inicial, a MP determinava a redução para zero de déficit a partir de 2021. A exceção vale para clubes com faturamento anual inferior a R$ 5,4 milhões, que não precisarão cumprir as medidas de redução de déficit. A MP mantém a taxa Selic (taxa básica de juros) para corrigir o parcelamento das dívidas dos clubes.

Folhapress
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