Lula e Marisa são intimados a prestar depoimento

30/01/2016 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou ontem, por meio do Instituto Lula, uma nota para comentar a intimação do ex-presidente e sua mulher, Marisa Letícia, a prestarem depoimento como investigados na Operação Triplo X, a 22ª fase da Operação Lava-Jato. "São infundadas as suspeitas do Ministério Público de São Paulo e são levianas as acusações de suposta ocultação de patrimônio por parte do ex-presidente Lula ou seus familiares", diz a nota. "A verdade ficará clara no correr das investigações".
Ontem, o promotor de Justiça Cássio Conserino, do Ministério Público de São Paulo, intimou o ex-presidente e sua esposa a prestarem depoimento no dia 16 de fevereiro sobre o tríplex no condomínio Solaris, em Guarujá (SP). Conserino diz ter indícios de que houve tentativa de esconder a identidade do verdadeiro dono do tríplex, o que pode caracterizar crime de lavagem de dinheiro.
A nota do ex-presidente diz que ele e Marisa "nunca esconderam que ela adquiriu, em 2005, uma cota da Bancoop, paga em prestações mensais, que foi declarada no Imposto de Renda". "Mas nunca foram proprietários de apartamento em qualquer condomínio da Bancoop ou de suas sucessoras", completa.
Na quarta-feira (27), a Lava-Jato deflagrou a Triplo X, sua 22ª fase, que tinha como alvos a Bancoop, a OAS e a Mossack Fonseca. Segundo a Polícia Federal (PF), esta etapa da investigação apura a ocultação de patrimônio por meio de um empreendimento imobiliário, o Condomínio Solaris, "havendo fundadas suspeitas de que uma das empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato teria se utilizado do negócio para repasse disfarçado de propina a agentes envolvidos no esquema criminoso da Petrobras".
A PF incluiu o triplex 164-A, que seria da família do ex-presidente Lula, no rol de imóveis com "alto grau de suspeita quanto à sua real titularidade" sob investigação na Triplo X.

Outros intimados
Também foram chamados a depor dois nomes ligados à OAS, responsável pelo empreendimento: José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da empreiteira condenado a 16 anos de prisão em um processo da Operação Lava-Jato, e o engenheiro Igor Pontes, que teria atuado na reforma do tríplex.
Há suspeita de ilegalidades na transferência, em 2009, do empreendimento da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), proprietária original do Solaris, à OAS. O imóvel em Guarujá também foi um dos alvos da Triplo X. Em despacho recente, o juiz federal Sergio Moro cita suspeita de que a OAS "teria utilizado o empreendimento imobiliário para repasse disfarçado de propina a agentes envolvidos no esquema criminoso da Petrobras".
O condomínio teve a construção iniciada pela Bancoop, que foi presidida pelo ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso desde abril do ano passado. Em 2009, após entrar em crise financeira, a cooperativa transferiu o empreendimento à OAS.
Marisa Letícia adquiriu a opção de compra do tríplex em 2005, pela qual o ex-presidente declarou ter pago R$ 47,7 mil. Em 2014, o apartamento, avaliado entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão, foi reformado pela OAS. Porém, em novembro de 2015, a assessoria do petista informou que a família havia desistido de ficar com o imóvel.
O ex-presidente e sua mulher dizem ter feito pagamentos pelo imóvel até 2010, mas não informam o total despendido e sustentam que o apartamento é da OAS. Ontem, Lula se reuniu com advogados para traçar estratégica jurídica e de comunicação em resposta às suspeitas recentes.

Repercussão
Políticos da oposição avaliaram que o "cerco está se fechando" contra o ex-presidente. Para a oposição, a relação de Lula com as empreiteiras coloca o petista cada vez mais no centro das investigações da Lava-Jato. "Em algum momento, esse laço vai se fechar", disse o presidente do DEM, senador Agripino Maia.
O Palácio do Planalto, por sua vez, já espera uma espécie de devassa na vida do petista de agora em diante. Assessores próximos à presidente Dilma Rousseff afirmam ter a impressão de que as investigações da PF devem se perpetuar até as eleições de 2018. Se tal hipótese se concretizar, avaliam que o cenário é positivo para a oposição.

Redação Web
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