Comitê investigará o que causa homicídios de adolescentes no Ceará

24/02/2016 - Segundo levantamento da Coordenadoria de Vigilância em Saúde de Fortaleza, em 2015, foram registrados 429 homicídios de crianças e adolescentes, com idades entre 10 e 19 anos, na Capital. Deste total, 97% eram do sexo masculino e 94% tinham entre 15 e 19 anos. Quase metade dos assassinatos (44%) se deu em apenas 14 bairros. Para identificar os motivos que levam esses jovens a matar e morrer, foi lançado ontem o Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência.
Coordenado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Ceará, fruto de uma iniciativa da Assembleia Legislativa, com apoio do Governo do Estado, o comitê irá dispor de 24 pesquisadores que ouvirão, a partir de 1º de março, 260 famílias de jovens assassinados e 160 adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Ceará. Ao final do estudo, previsto para 15 de julho, recomendações de políticas públicas de Educação, Saúde, Assistência Social e Segurança Pública serão apresentadas às autoridades.
“Investigaremos as trajetórias de vida e as condições que levaram adolescentes de Fortaleza e mais sete municípios do Ceará a situações de risco que culminaram em 817 adolescentes mortos em todo o Estado, em 2015”, detalhou o chefe do Unicef no Ceará, Rui Aguiar. Relator do Comitê, o deputado Renato Roseno (Psol) detalhou que o projeto pretende abordar a trajetória dos adolescentes, as dinâmicas familiares e comunitárias e a oferta de políticas públicas, além da realização de seminários temáticos. Presidente do Comitê, o deputado Ivo Gomes (Pros) disse que a pretensão maior é combater as causas do problema, “porque, para as consequências, já existe o aparato policial”.

Famílias
Presidente da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé foi convidado a contribuir com o Comitê, falando na condição de pai de um adolescente assassinado. Malcon Jonas do Nascimento Lima, 17, foi morto a tiros em agosto de 2015, dois dias após fugir de um dos centros socioeducativos do Estado. “No corre-corre da vida, não percebi alguns sinais que ele dava de que havia algo errado”, lamentou, ao pedir que o Governo não enfrente o problema da violência com ações de Polícia.
A mãe de um dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas na Capital também discursou e pediu dignidade no sistema socioeducativo. “Hoje, meu filho está pagando pelos seus erros. E eu quero que pague, mas com dignidade. Como gente. Porque, no sistema socioeducativo do Ceará, os jovens sempre saem pior do que entraram”, indicou.

Saiba mais
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, entre as capitais brasileiras, Fortaleza lidera o ranking das mortes de adolescentes com idades entre 10 e 19 anos.
Os custos com a pesquisa serão divididos entre o Unicef, o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa. 
Os demais componentes, deputados Zé Ailton Brasil (PP), Augusta Brito (PCdoB) e Bethrose (PRP), presidem comissões técnicas relacionadas ao assunto: respectivamente, Direitos Humanos e Cidadania; Juventude; Infância e Adolescência. Esses colegiados atuarão junto ao Comitê.

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