Dilma cogitou deixar PT no auge da crise, no fim do ano passado

01/02/2016 - A presidente Dilma Rousseff cogitou se licenciar do PT e propor a composição de um governo suprapartidário no momento em que as divergências entre ela e a cúpula do partido passaram a ficar visíveis, em dezembro do ano passado. Com informações da Folha de S. Paulo.
As conversas sobre um afastamento formal da legenda à qual é filiada há 15 anos ocorreram em meio aos debates sobre a votação no Conselho de Ética que pode levar à cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
Naquele momento, o Planalto tentava convencer os três deputados petistas que integram o Conselho a votar pelo fim da investigação sobre Cunha, para evitar o acolhimento do impeachment.
Em contrapartida, o presidente da sigla, Rui Falcão, pressionou os deputados do colegiado a votarem contra o peemedebista. Com a perda no Conselho de Ética, Cunha deflagrou o processo de afastamento da presidente.

Divergências têm início na crise econômica
O descompasso entre os interesses do Planalto e os da cúpula do PT nunca tinha ficado tão evidente, embora ambos os lados dessem sinais de fadiga, principalmente relativos à crise política e econômica e os desdobramentos constantes da Operação Lava Jato.
Alguns dirigentes da cúpula petista diziam que a presidente era a responsável por "afundar" a sigla, deixando em segundo plano os escândalos de corrupção que levaram à cadeia quadros importantes, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Entre os petistas, havia a avaliação de que o partido não deveria mais compartilhar "o desgaste" do governo Dilma, que vinha defendendo o ajuste fiscal proposto pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy. A política de Levy era considerada severa, ortodoxa e inadequada pela direção do PT.
Houve, naquele momento, quem defendesse o descolamento completo entre a legenda e o governo.

Lula prometeu lutar para salvar o projeto do partido
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, ainda acreditava em Dilma. A aliados, Lula confidenciou seus objetivos: salvar sua biografia, a imagem do PT e então o governo da presidente. Mas já admitia que, caso fosse preciso, lutaria para salvar o projeto do partido sem ela.
Foi nesse cenário que Dilma apontou a possibilidade de se afastar do PT. A ideia era sinalizar na direção de uma gestão na qual partidos de oposição e da base aliada poderiam, juntos, encontrar saídas para a crise. A presidente também se comprometeria a não se envolver na disputa por sua sucessão, em 2018.
A tese foi debatida dentro do Palácio do Planalto e com parlamentares da base aliada e do próprio PT. Foi consenso que a estratégia até poderia render um suspiro de alívio, mas poderia também ser o atalho para o isolamento completo de Dilma. Ela, então, preferiu não arriscar.

Cúpula do partido pretende preservar os ideais da sigla
Apesar de a fase mais aguda da crise haver passado, como admitem ambos os lados, dirigentes do PT afirmam que o partido hoje está mais distante do Planalto do que há um ano. Há uma determinação na cúpula da legenda de se posicionar sempre que a agenda do governo for contra os interesses da sigla.
A defesa da reforma previdenciária, por exemplo, está fora de cogitação para os petistas. Segundo um dirigente petista, naquilo que é "inegociável" com as bases do partido, o PT ficará na trincheira oposta à do governo, mas não haverá ruptura.
A cúpula da legenda avalia ainda que acertou ao forçar o rompimento entre Dilma e Cunha, dando a ela, num momento de pressão, um antagonista desgastado.
Mas reconhece que, à medida que a agenda do impeachment perdeu força, o foco da Lava Jato se voltou para Lula. O PT acredita que há uma operação para comprometer a imagem do petista e impedir sua candidatura em 2018.

Redação Web
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