Escola Júlia Catunda adota respeito à diversidade como disciplina em sala de aula

04/02/2016 - De acordo com a Constituição Federal Brasileira, a educação é um direito de todos. É nessa perspectiva que há dois anos a Escola Estadual Júlia Catunda, em Santa Quitéria, a 220 km de Fortaleza, inseriu em sua grade curricular o respeito à diversidade como disciplina fundamental para os alunos do ensino médio da instituição.
Ensinar adolescentes sobre diversidade sexual, cultural e religiosa pode ser sim uma alternativa para melhorar o convívio social. Mesmo que para alguns abordar o tema na escola ainda seja inadequado, a ideia vem dando certo e garantindo o bom relacionamento entre os alunos.

Segundo a diretora do colégio Edna Torres, a intenção é preparar o jovem para além do vestibular. “Desde 2014 estamos trabalhando esta questão de diversidade dentro e fora da sala de aula. Semanalmente nós realizamos projetos de inclusão como forma de preparar os jovens para as diversidades que eles vão encontrar na vida”, diz a diretora.
O projeto, intitulado como Desenvolvimento Pessoal e Social (DPS), permite um melhor convívio entre os adolescentes. Nesse conceito, os alunos são incentivados a apresentar trabalhos sobre as diversas religiões e falar sobre o tema dentro de sala de aula. “Independente da escolha sexual ou religiosa todos nós temos que entender que são pessoas comuns. Então, debatemos críticas sociais de forma a educar pais, alunos, professores e moradores do município a terem um melhor convívio. Os alunos perderam a vergonha de mostrar realmente que são”, afirmou Edna Torres.

Para a aluna Ana Beatriz, do 3º ano do ensino médio, a ideia aproximou todos aqueles que frequentam a escola. “Começamos a nos conhecer melhor, a nos relacionar melhor e aprender mais um com o outro. E isso foi importante para o desenvolvimento de todos os alunos. Com esse projeto, não vemos mais casos de bullying ou falta de respeito entre os alunos. Sabemos que somos todos iguais”, ressalta a estudante, que pretende ser professora de português.
Além das aulas preparatórias para o vestibular, os alunos são condicionados a discutirem assuntos relacionados ao respeito fora de sala de aula. Pelo menos uma vez por semana, os jovens vão em comunidades próximas à escola para difundir um tema abordado pelos professores.

“Semanalmente um tema é escolhido para ser debatido fora da escola. Por exemplo, na última semana escolhemos amizade como tema. A partir disso, os alunos colhem leituras, vídeos, imagens e todo tipo de material que fale sobre isso e vão ensinar à comunidade próxima as maneiras que eles devem adotar para conseguir um bom relacionamento tomando como base a amizade”, conclui Edna.

Reconhecimento 
Para ingressar o novo conteúdo, professores e coordenadores se reuniram durante todo o ano de 2013 para elaborar formas de explorar a disciplina. Mesmo com pouco tempo de funcionamento, a novidade já causou interesse. No ano passado, a escola foi selecionada pelo Ministério da Educação como uma das 178 instituições que promoveram a invenção e criatividade na grade curricular. Ao todo, 600 escolas de todos os municípios do Brasil concorrem a esse incentivo.
Para a Edna Torres, o projeto atingiu até os pais dos alunos. “O projeto foi bem aceito tanto pelos próprios alunos quanto pelos pais. Os pais dos jovens incentivam o resto da comunidade a respeitar mais, a ser mais sociável e adquirir um bom convívio entre todos. Então, foi um projeto pequeno que está ganhando um bom crescimento”.

Tribuna do Ceará
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