Nos 36 anos do PT, Lula reconhece erros do partido

11/02/2016 - O PT completou 36 anos de fundação ontem. Em vez de celebrar, o partido vive momento mais delicado de sua história. Nas últimas semanas, a Justiça e a Polícia Federal têm fechado cada vez mais o cerco em torno de seu maior ícone: o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Investigações esperam conectá-lo à Operação Lava Jato. Ele se defende e a possibilidade de ter Lula candidato a presidente em 2018 passa por provações.
No dia do aniversário do partido, Lula fez espécie de mea culpa diante da crise que a sigla enfrenta. Apesar de lembrar a trajetória da legenda, fundada em 1980, ele focou nas melhorias pelas quais precisa passar. “É certo que cometemos erros e quem comete erro tem que pagar”, afirmou em vídeo publicado na Internet. “É importante que as pessoas façam uma reflexão sobre o que esse partido já fez para o Brasil”, disse.

Sítio Santa Bárbara
As declarações chegam um dia depois da notícia de que o juiz Sérgio Moro autorizou a Polícia Federal a abrir investigação específica sobre a reforma do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, interior de São Paulo. De acordo com documentos, o terreno pertence a sócios do filho de Lula. No entanto, depoentes afirmam que empresas envolvidas na Lava Jato, como OAS, Odebrecht e Usina São Fernando financiaram reforma e mobília do imóvel. Em sua defesa, Lula se restringiu apenas a dizer que frequentava o local e que isso não infringia qualquer lei. Sobre as obras do sítio, não comentou. As investigações correm em sigilo e até Moro criticou o vazamento da informação na mídia. 
Para a cientista política Paula Vieira, fazer do ex-presidente o centro das atenções é parte de estratégia para enfraquecê-lo em 2018. Em um contexto no qual a população pede por moralidade, implicá-lo no maior escândalo de corrupção do País seria a melhor forma de atingi-lo. “Apesar de tantos anos sem cargo eletivo, nas pesquisas, ele ainda tem quantidade significativa de intenções de voto. Ele é um risco eleitoral”, afirma.
De acordo com o líder do Governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT), ainda não foi acertada uma campanha coletiva de defesa do ex-presidente diante das últimas acusações.
Já no fim de seu vídeo, Lula demonstra a expectativa de que este momento ruim seja apenas passageiro: “Vamos torcer para que quando estivermos completando 37 anos estejamos mais fortes do que estamos hoje”.

O POVO Online
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