Comissão do impeachment começa com questionamento sobre inclusão de delação

22/03/2016 - A primeira reunião de trabalho da comissão da Câmara que analisa o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff foi tomada pela discussão sobre a inclusão, feita pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), da delação do ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), no pedido.
O presidente da comissão, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), disse que a consideração da delação de Delcídio no pedido será decidida pelo relator, Jovair Arantes (PTB-GO).
Durante a sessão foram apresentadas mais de 15 questões de ordem, por deputados aliados do governo, pedindo a retirada das acusações de Delcídio do processo de impeachment.
Rosso disse que tentará decidir sobre as questões de ordem até hoje, quando a comissão se reúne novamente pela manhã. Ele, contudo, não descartou que elas sejam levadas ao plenário da Casa.
"É nítido que os novos documentos não têm relação com o processo, têm outro objeto. Não servem como meio de prova dos fatos narrados na denúncia", disse Paulo Teixeira (PT-SP), um dos deputados que apresentaram questão de ordem.
O petista disse que a inclusão de novos fatos na denúncia é passível de questionamento judicial e que a presidente deve saber exatamente do que está sendo acusada.
"Não é possível que a todo momento se incluam novos fatos à denúncia que já se encontra na Comissão Especial", afirmou Teixeira.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) também contestou, dizendo que o prazo da defesa, de dez sessões, não pode ser contado enquanto Arantes não definir se a delação fará parte do relatório.
"Nova denúncia significa novo processo e nova comissão", afirmou.
Rosso respondeu dizendo que todos os documentos anexados ao processo de impeachment foram publicados no Diário Oficial da Câmara no dia 18 de março, antes da primeira sessão do plenário que iniciou a contagem para a apresentação da defesa da presidente.
Eduardo Cunha nega que tenha feito um aditamento, afirmando apenas que juntou documentos por solicitação de um dos autores do pedido, a advogada Janaina Paschoal.

Redação Web
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