Crítica | Deuses do Egito (2016)

30/03/2016 - Nota 1O filme é uma perda de tempo, o roteiro é abominável, a escolha do elenco foi equivocada e a direção é péssima. Uma bomba de efeitos em CGI, que representa um lixo cinematográfico.

A história do filme parte de um famoso episódio da mitologia egípcia: Set, um Deus associado ao mal, mata seu irmão Osíris, causando a revolta de Hórus (filho de Osíris), que luta para vingar o assassinato do pai, mas acaba perdendo um olho na luta com o tio. Desde então, o Olho de Hórus é usado como símbolo de proteção.
No filme, tudo isso acontece, mas Hórus (Nikolaj Coster-Waldau) perde os dois olhos na luta com Set (Gerard Butler), recuperando um deles graças a um humano, Bek (Brenton Thwaites), que negocia com o deus, uma troca de favores, visando sua amada (que estava nas mãos de Anubis no mundo dos mortos).
Dado isso, a construção das personagens é desastrosa. As duas duplas são muito fracas, afundando ainda mais a história. Bek é uma figura interessante por não ficar no lugar-comum. É um ladrão habilidoso (o que fica muito claro na cena que remete a Indiana Jones, hehehe).
Por sua vez, o resto do elenco não salva o filme (nem de longe). O Set de Gerard Butler é um Leônidas malvado. Ele estava com preguiça de fazer o vilão. Chadwick Boseman, em atuação absurdamente caricata.
A cereja do bolo foi a péssima direção de Alex Proyas, que fez opções ridículas que prejudicam um filme que já prometia ser fraco. A narração voice over já é questionável, mas uma vez adotada, abandoná-la é um erro brutal. Os humanos parecem pigmeus se comparados aos deuses, o que fica triste na telona. A alternância morfológica (transformação) dos deuses é um equívoco, por que eles não são retratados completamente antropomórficos na mitologia egípcia. Proyas usou e abusou do chroma key, criando uma bomba de CGI carnavalesco tão radical que chamar aquilo de arte chega a ser ofensivo.
Fica a dica!!!

Wilker Magalhães é crítico de cinema e colunista do portal A Voz de Santa Quitéria.
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