Executivos da Odebrecht decidem fazer delação

22/03/2016 - O grupo Odebrecht decidiu fazer um acordo de delação de seus principais executivos, inclusive o ex-presidente Marcelo Odebrecht, no dia em que sofreu uma devassa da Polícia Federal, que diz ter identificado um departamento de pagamento de propina que funcionava dentro da empresa.
A Odebrecht também fará um acordo de leniência, que é uma espécie de delação para empresas. As informações foram adiantadas pelo "Jornal Nacional".
Marcelo sofria pressões para fazer o acordo, inclusive do próprio pai, Emílio Odebrecht. Emílio temia pelo futuro do grupo se não houvesse acordos de delação e de leniência.
Em nota, a empresa afirma: "As avaliações e reflexões levadas a efeito por nossos acionistas e executivos levaram a Odebrecht a decidir por uma colaboração definitiva com as investigações da Operação Lava Jato".
Prossegue a nota: "Esperamos que os esclarecimentos da colaboração contribuam significativamente com a Justiça brasileira e com a construção de um Brasil melhor".

Empreiteiro já começou a depor 
Os executivos da maior empreiteira do País decidiram buscar o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República nos processos da Operação Lava Jato. O empreiteiro Marcelo Bahia Odebrecht, preso na Operação Erga Omnes, desde 19 de junho de 2015, já começou a depor, antes da deflagração da Operação Xepa, etapa da Lava Jato que tem base na colaboração da ex-secretária do grupo, Maria Lúcia Tavares - ela entregou aos investigadores a planilha da propina.
O acordo foi confirmado pelo grupo nesta terça-feira, 22. O acordo envolve outros executivos da Odebrecht, presos também desde junho de 2015.

Odebrecht é acusado de crimes
Pesou na decisão de fazer o acordo a condenação imposta pelo juiz federal Sérgio Moro.Acusado de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e associação criminosa, Odebrecht foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão.
Também pesou o fato de a ex-secretária Maria Lúcia ter feito delação e revelado os caminhos dos pagamentos ilícitos realizados por ordens de seus superiores, entre eles Marcelo Odebrecht.

Estadão Conteúdo e Folhapress
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