O filme A Bruxa é soturno e incômodo

26/03/2016 - Livrando-se dos clichês do gênero, essa nova joia do terror moderno aposta numa atmosfera mórbida e trabalha com temas espinhosos (bem espinhosos), nos deixando angustiados durante a sua exibição.
Não se pode dizer que o gênero do terror vive hoje um de seus melhores momentos, mas é bem verdade que, nos últimos anos, nós tivemos um aumento bem grande em relação à qualidade dos títulos lançados, ou seja, estamos colhendo uma boa safra. Fenômenos como “Sobrenatural” (2011), “O Segredo da Cabana” (2012), “Invocação do Mal” (2013) e “Corrente do Mal” (2015) são bons exemplos anuais. Mais ainda por cada um destes trazer variados temas e possuírem abordagens cinematograficamente diferentes e interessantes.
Um dos maiores méritos do filme é se desprender quase que totalmente das artimanhas e truques baratos tão repetidos dentro do gênero terror atualmente. Não existe histeria, sustos fáceis ou impactos sonoros usados como muletas. Diferentemente, tudo no filme é destacado de forma bastante sutil, seguindo a ideia do mais sugerido do que simplesmente mostrado, estratégia usada em clássicos como “O Bebê de Rosemary” (1968). A plástica fotografia do filme transmite com perfeição, a natureza gélida e obscura residente ali, bem como a estranha trilha sonora que causa arrepios.
A história se passa em meados de 1630, na Nova Inglaterra, onde vemos um casal que leva uma vida cristã com seus cinco filhos em uma comunidade extremamente religiosa (o que era comum naquela época), até serem condenados ao exilio por sua fé ir de encontro com as leis das autoridades locais. Vivendo num pequeno sítio, próximo à uma floresta bastante densa, William e Katherine criam as crianças com certa escassez de comida e material, mas aparentemente vivem bem entre si. Isto até o dia que o filho mais novo desaparece, causando pânico geral e a desestruturação familiar, fazendo com que cada um em frente de forma literal e metafórica seus medos internos.
À medida que a trama vai caminhando se observa contornos completamente diferentes e inesperados. É fácil se perguntar se tudo aquilo não passa do distúrbio que envolve um personagem ou se simplesmente, forças sobrenaturais estejam mesmo agindo ali. O terceiro ato então traz cenas intensas e absolutamente inusitadas em relação ao que se apresentava, uma delas remetendo ao ótimo “O Homem de Palha” (1973). Mas a certeza mesmo é que ao fim do filme você provavelmente estará apavorado ou impressionado diante do que viu. Sendo assim um filme eficientíssimo em seu propósito.

PS: Recomendo assistir ao filme num ambiente bem silencioso e escuro, para assim, você aproveitar ao máximo e sentir toda a atmosfera que a obra transmite.

Wilker Magalhães é crítico de cinema e colunista do portal A Voz de Santa Quitéria.
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