Cartório registra união estável de um homem e duas mulheres no RJ

05/04/2016 - O ditado diz: um é pouco, dois é bom, três é demais. Mas, para o funcionário público Leandro Jonattan da Silva Sampaio, de 33 anos, sobra mesmo é o amor que o uniu oficialmente a duas mulheres na sexta-feira passada (1º), no 15º Ofício de Notas, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Trata-se do primeiro trio – formado por um homem e duas mulheres – a formalizar a união estável poliafetiva no estado, como antecipou a coluna Ancelmo Gois, do jornal "O Globo".
Para Leandro, dividir a vida com duas mulheres – a desempregada Thais Souza de Oliveira, de 21 anos, e a agente de negócios Yasmin Nepomuceno da Cruz, de 21 anos –  é uma questão de hábito e maturidade. E olha que no caso dele são três mulheres, já que ele tem uma filha biológica de 2 anos com Thais.
“Minha mãe acha que é uma tarefa difícil. Mas é como digo para ela: é tudo uma questão de costume, de adaptação. Se você coloca três ou quatro cães que não se conhecem diante de um bife, eles vão se morder e brigar pelo bife, porque não conseguem se comunicar. Com o ser humano é diferente, a gente conversa e tenta se entender. Não vejo como não pode funcionar”, explica Leandro, que vive maritalmente com as duas mulheres na mesma casa há dois anos e meio.
Bem tranquilo, o funcionário conta que já tinha experiência com relacionamento múltiplo. Ele e a mulher com quem foi casado por 11 anos já se envolviam com outras pessoas, até que há cinco anos ele conheceu Thais. Leandro expôs a situação, contou que era casado, e a jovem topou encarar o relacionamento a três. O convívio durou dois anos.
“Não vou dizer que não deu certo, porque vivemos em harmonia durante 11 anos. Fomos muito felizes, mas houve um desgaste natural na relação. Hoje ela é casada com outra mulher e vive muito feliz. Somos muito amigos”, contou Leandro.
Mas a relação entre ele e Thais logo ganhou uma nova integrante. Cerca de um mês depois da separação da primeira mulher, em setembro de 2013, ele conheceu Yasmin. Conversa vai, conversa vem, ela contou que já tinha se relacionado com mulheres, e ele a convidou para integrar a sua nova família.
“Ela disse que tinha curiosidade de saber como era essa relação e veio morar com a gente. Foi um processo muito natural. E hoje já estamos os três juntos há dois anos e meio. Não vou dizer que não há confronto. São pessoas com gostos diferentes, que pensam diferente, mas nos entendemos muito bem. Tudo é uma questão de saber ceder (...) Rola ciúmes externos, de gente da minha faculdade, por exemplo”, diz Leandro, que cursa psicologia.
Ele conta que tudo na pequena casa,de apenas um quarto, em Madureira, no Subúrbio do Rio, é dividido, mas não com o rigor de 50% para cada uma. Todos têm tarefas.
“Não é porque dei um beijo em uma que a outra também tem de ganhar um beijo. Não é assim que funciona. Mas procuro ser o mais justo possível com elas”, explica o funcionário.
Mesmo com a união oficializada entre os três, Leandro diz que o relacionamento não está livre de que mais uma pessoa integre a família. Mas, como heterossexual, diz que isso só será possível com uma mulher. Homem nem pensar.
“As meninas se curtem, então entrar uma outra mulher, não feriria ninguém. Mas sou hétero. Um outro homem não seria legal, iria causar desconforto. Não é preconceito, mas uma questão de gosto. E eu não gosto”, concluiu Leandro.

G1
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