Cunha pode receber 'anistia' por comandar impeachment

18/04/2016 - Um movimento de deputados que aprovaram a continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff já avalia salvar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), do Conselho de Ética da Casa por ter dado prosseguimento ao processo de afastamento da petista. Com informações do Correio Braziliense.
O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) afirmou que "essa grande maioria" dos votos a favor do impedimento seria favorável a ignorar as denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e falsa declaração aos colegas do Congresso. Ele disse que há um entendimento de que Cunha foi fundamental para o avanço do processo de impeachment. 
O presidente da Câmara foi declarado réu pelo Supremo Tribunal Federal sob acusação de receber US$ 5 milhões de propina de lobista que obteve contrato de US$ 1,2 bilhão com a Petrobras. 
Por ter um processo caminhando no Conselho de Ética, desde outubro do ano passado, Cunha pode ter o mandato cassado pelo plenário em situação em que perderia o foro privilegiado e ficaria sob tutela do juiz Sérgio Moro.
A hipótese da "salvação" é discutida nos corredores da Câmara, segundo Serraglio. Ele afirma que não seria uma "anistia" formal, mas uma espécia de "esquecimento do caso". "Acho que daqui a um mês, dois meses, ninguém vai querer saber de mais nada", avaliou. 
O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) disse que soube da mesma informação por meio de mensagens de celular que acabaram vazando na internet. Alessandro Molon (Rede-RJ) afirmou que o peemedebista seria "premiado" com a blindagem por conseguir aprovar a cassação de Dilma. 
Paulinho da Força (SD-SP), um dos líderes da oposição na Câmara, disse que por causa do impeachment, os deputados passarão a ver "com maior simpatia" a ideia de não punir Cunha. Já o deputado Milton Monti (PR-SP) não acredita que o presidente será poupado. Segundo ele, a pressão social do voto aberto para aprovar o impeachment também vai recair sobre a Câmara. "Isso não melhora a situação do Cunha", concluiu. 
Segundo o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), Cunha não terá condições de continuar na escala sucessória. "O deputado não poderia assumir a presidência porque ele tem que renunciar. Ele já é réu. Aí o presidente do Senado assumiria e, se ele não tiver condição, assumiria o presidente do STF", pontuou. 
"Assim que o vice-presidente Temer for o novo presidente, Cunha não será mais presidente da Câmara. Isso está garantido", finalizou.
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