Depois de crítica a delações, Mariz é 'descartado' por Temer


Depois de tomar conhecimento ainda na noite de terça-feira (26) da entrevista do advogado e amigo Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, em que ele fala praticamente como ministro, o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) avisou a assessores que o nome do criminalista está "descartado" para sua futura equipe caso o Senado aprove a admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma.
Segundo assessores, Temer considerou muito "ruim" e "errática" a entrevista de Mariz, na qual ele critica o mecanismo das delações premiadas e diz que a Polícia Federal precisa ter outros focos além do combate à corrupção.
Na avaliação do vice-presidente, este tipo de declaração, neste momento, é muito ruim porque dá munição aos que tentam acusá-lo de desejar parar a Operação Lava Jato.
Um auxiliar do vice disse que Temer reconhece que sondou o advogado e realmente cogitava tê-lo em sua equipe, mas agora desistiu do nome por ele ter avançado o sinal.
Amigos de Temer lembram que o vice-presidente tem insistido na tecla de que ainda não é possível dar declarações oficiais sobre futura equipe e medidas por respeito ao Senado e Mariz acabou quebrando esta regra.
O amigo destacou ainda que Mariz havia sido sondado, mas não havia convite oficial para ele.

Advogado de Temer no STF
O advogado atua como defensor de Temer no Supremo Tribunal Federal no âmbito da Lava Jato. As menções ao peemedebista contidas na delação do senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) foram incluídas no inquérito conhecido como "quadrilhão", sobre formação de quadrilha no escândalo. A investigação já tem 39 investigados, entre políticos do PT, PP, PMDB e operadores do esquema. Em acordo de delação premiada, o parlamentar disse que o vice-presidente seria "padrinho" na petroleira de dois investigados na Lava Jato.
Mariz também representou Camargo Corrêa no escândalo desvendado pela Operação Castelo de Areia, de 2009, em que a empresa era acusada de crimes financeiros e lavagem de dinheiro. O nome do vice-presidente da República, então deputado federal, aparecia na contabilidade da empreiteira como beneficiário de valores ilícitos que somavam mais de US$ 345 mil. A operação, no entanto foi anulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que considerou ilegais as provas obtidas.
A empreiteira também foi implicada na Lava Jato anos depois, quando Mariz passou a representar seu então vice-presidente, Eduardo Leite, preso na 7ª fase da Lava Jato, em 2014, e que atualmente está afastado da construtora. Mas, por discordar do instituto da delação premiada, o advogado abandonou a defesa do executivo quando ele firmou acordo com o Ministério Público Federal. 

Folhapress e Estadão Conteúdo
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