Lula critica impeachment, diz que não trairá o País e acredita que assume Casa Civil na quinta (7)

02/04/2016 - Em um discurso emocionado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "voltará ao Ministério da Casa Civil na próxima quinta-feira, caso tudo der certo". A afirmação foi feita pelo petista durante protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff, na Praça do Ferreira, neste sábado (2). 
O ex-presidente desembarcou em Fortaleza por volta das 10h50 deste sábado (2) e foi direto à Praça do Ferreira, local onde milhares de manifestantes, vestidos de vermelho e segurando cartazes, bandeiras e fotos de Lula, estavam reunidos em um ato pró-governo. O evento contou com a participação do governador Camilo Santana, dos presidentes nacional e estadual do Partido dos Trabalhadores, Rui Falcão e Francisco de Assis Diniz, do deputado federal José Guimarães (PT), do ministro das Comunicações André Figueiredo, entre outros líderes de partidos. De acordo com a organização do evento, o público esperado era de 50 mil pessoas. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) estimou, no entanto, que cera de 10 a 12 mil pessoas estiveram na manifestação. 
Lula abriu o discurso falando da importância da chuva para o povo do Nordeste, salientando que "mesmo que não tivesse esse o ato, só a chuva que Deus mandou hoje já valeria a pena". Em seguida, o ex-presidente criticou o clima de tensão política que o País vive e pediu que as pessoas respeitassem o mandato da presidente Dilma "Eu completei 70 anos. Vivo fazendo política há 50 anos e nunca vi um clima de ódio estabelecido no país como eu vi agora... Essa gente que vai para a manifestação vestido de verde e amarelo tem que saber que o povo que está aqui na rua é um povo trabalhador e pede que respeite apenas uma coisa, o voto popular de quem elegeu", disse ele, defedendo a regularidade do Governo. O ex-presidente criticou duramente o processo de destituição da presidente, disse que "a resposta a ser dada aos opositores é garantir a governabilidade de Dilma" e ressaltou que "Temer sabe que o processo de impeachment é golpe". 
O ex-presidente criticou também a forma de governo da oposição, deixando a entender que os mais pobres seriam os mais prejudicados pela gestão, e que essa forma de governo impedia o crescimento das classes mais baixas "Uma mulher pobre faz muito mais pelo Brasil do que um homem com 1 bilhão... Pobre gosta de coisa boa, de morar bem, de beber bem. Eles não querem governar esse País para garantir que as pessoas mais pobres tenham direito de subir...o que mais incomoda a eles é o pobre querer andar de avião agora. Eles acham que a gente só gosta de bebida vagabunda. Mas não e isso não. Eles têm raiva da gente porque a secretária hoje têm mais direitos, porque o pobre pode estudar", diz Lula.

Casa Civil
Durante discurso, Lula disse que, se o Supremo Tribunal Federal autorizar, na próxima quinta-feira (7) ele volta como ministro da Casa Civil. "Na próxima quinta-feira, se tudo der certo, se Corte Suprema aprovar, eu estarei assumindo o Ministério. Eu volto para ajudar a companheira Dilma", diz Lula.
O ex-presidente chegou a tomar posse em 17 de março, mas não pode assumir devido a uma liminar do STF, do ministro Gilmar Mendes. Para o ministro, houve "desvio de finalidade" na indicação de Lula pela presidente Dilma. Gilmar Mendes acredita que a nomeação impede que Lula não seja investigado na primeira instância, sob o comando de Sérgio Mouro. 

Obras no Ceará
Ainda no discurso, Lula chegou a falar que, voltando ao Governo, pretende retomar e entregar importantes obras para o Estado, como a transposição do Rio São Francisco e a refinaria.

Diário do Nordeste
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