Rua Cloverfield, 10 (2016): J.J. Abram nos traz uma ótima surpresa

19/04/2016 - Criando tensão principalmente nas interações extremamente humanas entre seus personagens, esta continuação (?) de "Cloverfield - Monstro" não tem quase nada em comum com o original, mas mantém o ótimo nível daquele longa.
Em 2008, J.J. Abrams produziu “Cloverfield – Monstro”, filme de Matt Reeves escrito por Drew Goddard (indicado ao Oscar em 2016 por “Perdido em Marte”) sobre um grupo de jovens tentando sobreviver ao ataque de uma criatura gigante que invadiu Nova York, em uma narrativa de found footage (filmagem encontrada) onde uma câmera diegética operada pelos próprios personagens nos conduzia através da trama. Cercado de mistério e aproveitando um pouco do hype da série “Lost”, o filme fez relativo sucesso.
Quase oito anos depois, quando o mundo ainda suspirava com seu “Star Wars – O Despertar da Força”, Abrams anuncia este “Rua Cloverfield, 10”, dirigido com competência pelo novato Dan Trachtenberg e com argumento da dupla Josh Campbell e Matthew Stuecken.
A primeira coisa que o a pessoa deve saber antes de assistir ao filme é que, mesmo com esta fita sendo considerada “irmã de sangue” daquela lançada em 2008, os dois longas são bem diferentes.  Na trama, acompanhamos a bela Michelle (Mary Elizabeth Winstead), que está a fugir de um relacionamento problemática quando sofre um acidente no meio da estrada.
Ao acordar, se vê presa em um bunker onde o enorme Howard (John Goodman) lhe conta que aconteceu um ataque que devastou o país e que ele a salvou a levando para aquele “local seguro”, onde também está o meio abobado Emmett (John Gallagher Jr.). Obviamente, a moça desconfia da história de que um atentado químico, nuclear, biológico ou até mesmo alienígenas tenham acabado com o mundo como o conhecemos, mas aos poucos a moça se convence. O problema é que, como a publicidade do filme indica, “monstros vêm em todas as formas”.
Ao contrário de “Cloverfield – Monstro”, onde a maioria dos principais momentos de ação se passavam em ambientes externos, praticamente toda a narrativa aqui se passa no bunker de Howard. Graças à competente direção de arte, esse mesmo ambiente se mostra inicialmente claustrofóbica, mas se torna aos poucos menos opressor.
A despeito de um final que dividirá as opiniões do público (pessoalmente, eu o achei  digno) e da discussão (inútil, a meu ver) sobre se essa história se passa no mesmo universo que o longa de 2008, o fato é que os dois filmes partilham algo importantíssimo: são tramas de gênero bem contadas, tensas e que têm em seus respectivos centros a humanidade de seus personagens. 
Recomendado!!!

Wilker Magalhães é crítico de cinema e colunista do portal A Voz de Santa Quitéria.
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