Ampliado em 43%, o recurso da transposição do Rio São Francisco

O anúncio de que serão elevados em 43% os pagamentos para as empresas executoras da obras de Transposição do Rio São Francisco foi recebido com alívio pelo governo do Estado. É que além de não haver descontinuidade no desembolso, o que não ocorreu até o momento, o maior aporte poderá garantir aceleração de serviços no Ceará, como a conclusão de barragens em Mauriti e Brejo Santo.
O anúncio foi divulgado, ontem, pelo Ministério da Integração Nacional. O ministro Hélder Barbalho informou que os pagamentos para as obras do Projeto de serão elevados da média mensal de R$ 150 milhões para até R$ 215 milhões.
Para o titular da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira, a notícia, caso seja confirmada, no atual quadro, é alvissareira, porque atende, especialmente, o eixo Leste, abrangendo o agreste de Pernambuco e a Paraíba, mas também pode representar na aceleração de obras no Eixo Norte, onde o Ceará está situado, beneficiando, sobretudo, a conclusão das barragens que ainda faltam dentro da estrutura do projeto.

Cronograma
No Estado, foi prevista a construção de seis barragens para captar as águas do São Francisco. Desse total, apenas duas, em Jati, estão concluídas. As demais poderão ter o ritmo acelerado.
Para Teixeira, por não haver atraso no desembolso do pagamento, tem sido possível estabelecer um cronograma de que as águas chegarão ao Ceará até dezembro, mesmo com o desembolso mensal de R$ 150 milhões, como vem ocorrendo na atualidade.
O secretário explicou que a vantagem seria na distribuição por Mauriti e Brejo Santo, que ganharia um impulso maior com a conclusão dos demais reservatórios. "No momento, as obras no Ceará estão dentro do ritmo normal", observa.
Teixeira reiterou que, ao contar com águas do São Francisco ainda no fim deste ano, há uma maior segurança hídrica, uma vez que a preocupação maior será com 2017, que se iniciará com os açudes cearenses somando cerca de 13% da sua capacidade.

Defasagem
Atualmente, os maiores reservatórios do Estado, respectivamente, o Castanhão com 9% e o Orós com 30%, causam apreensão ao gestor, com a indefinição do ciclo de chuvas para o próximo ano. Ele disse que haverá uma captação maior de água do Orós, diante da vulnerabilidade do Castanhão.
"As obras de transposição são de uma importância vital para o Ceará e para outros Estados do Nordeste. A decisão de aumentar o desembolso aumenta nossa esperança de que a obra beneficie o Ceará ainda em dezembro deste ano", ressaltou Teixeira.
A decisão foi tomada após uma rodada de reuniões, na terça-feira, com representantes das prestadoras de serviço responsáveis pelas obras civis e elétricas do Projeto.
Segundo o ministro, a ampliação dos repasses garante que o empreendimento esteja concluído até o fim deste ano, com o compromisso das construtoras de elevarem a produtividade ao seu limite máximo. O objetivo é manter o cronograma acordado com o Ministério da Integração Nacional.
"Sinalizamos a todas as empresas que elas estão autorizadas a ampliar o seu campo de serviços para cumprir o cronograma das obras. Queremos garantir que até o fim de dezembro os canais estejam concluídos e a água chegue até a Paraíba e ao Ceará", pontuou Helder Barbalho, ressaltando que a decisão ratifica a preocupação do governo federal com o abastecimento de água no Semiárido brasileiro.
Durante o encontro, as empresas construtoras reafirmaram o compromisso com o governo federal de concluir os trabalhos até o fim do ano.

Diário do Nordeste
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