Áudios mostram que partidos financiaram MBL em atos pró-impeachment

Apesar de o Movimento Brasil Livre (MBL)ter nascido com a proposta de ser apartidário, não é essa a característica que os áudios adquiridos pelo portal UOL sugerem.
As gravações indicam que o MBL recebeu apoio financeiro de partidos políticos como oPMDB e o Solidariedade a partir de impressão de panfletos e uso de carros de som.
Além disso, a entidade negociou ajuda financeira para as caravanas das manifestações através de pagamento de lanches e aluguel de ônibus com a Juventude do PSDB. O Democratas também teria garantido apoio através da sua "máquina partidária". 

PMDB
O partido do presidente em exercício Michel Temer teria custeado a impressão de panfletos para o MBL divulgar nas manifestações pró-impeachment ocorridas no país no dia 13 de março. 
O presidente da Juventude do partido, Bruno Júlio, disse que solicitou ao presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco (atual secretário-executivo de parcerias e investimentos do governo interino) para custear cerca de 20 mil panfletos com a inscrição "Esse impeachment é meu". 
Júlio afirmou que o material foi pago pelo partido e entregue ao MBL, que distribuiu através de suas sedes no país. "O MBL auxiliou na logística, distribuindo os panfletos e colando cartazes, mas a Fundação Ulysses Guimarães pagou porque se tratava de uma campanha nossa, da Juventude do PMDB, que nós encampamos", explica.
O lema "Esse impeachment é meu", no entanto, pertence ao MBL, que estampou a frase em camisetas, faixas e cartazes, além de tê-lo utilizado em discursos e vídeos gravados por suas lideranças.
Moreira Franco, disse, no primeiro momento, que não se recordava se teria pagado ou não pela impressão. Posteriormente, negou que o tenha feito e que nem ele, nem o PMDB jamais trabalharam em parceria com o MBL. 
Questionado sobre o apoio, o MBL não confirmou o custeio dos panfletos, disse apenas que o PMDB fazia parte da comissão pró-impeachment.

Solidariedade e DEM
Um dos três coordenadores do MBL, Renan Antônio Ferreira dos Santos, diz em áudio a qual o UOL teve acesso, que tinha fechado com partidos políticos para a divulgação dos protestos de 13 de março usando "máquinas deles também".
Em nota enviada ao UOL, Renan Santos confirmou a autenticidade do áudio e informou que o comitê do impeachment contava com lideranças de vários partidos, entre eles, DEM, PSDB, SD e PMDB.
A assessoria de imprensa do Solidariedade confirmou a parceria em nota. "O apoio do Solidariedade ao MBL foi com a convocação da militância para as manifestações do impeachment, carro de som nos eventos e divulgação dos atos em nossas redes".
Já o DEM informou que atuou em conjunto com o MBL, mas negou qualquer tipo de ajuda financeira ou apoio material ao movimento. "Não houve nenhum tipo de apoio financeiro, apenas uma união de forças com os movimentos de rua, dentre eles o MBL", disse o partido.

PSDB
Em outro áudio, o secretário da Juventude do PSDB do Rio de Janeiro, Ygor Oliveira, detalha a "parceria com o MBL" para financiar manifestações do dia 11 de maio,  em Brasília. 
"Fizemos um acordo de a JPSDB captar com amigos, colaboradores o valor referente à hospedagem, alimentação no translado, entre outras despesas, e o MBL chegar com o ônibus", diz Oliveira durante a gravação.
O secretário da JPSDB do Rio confirmou a autenticidade da mensagem, mas disse que a "parceria" acabou por não se concretizar. "Isso foi um rascunho de uma parceria, que acabou não dando certo", afirmou.
O MBL confirmou a "aproximação ao PSDB", mas não informou se a parceria com o partido para pagar o lanche e o transporte de manifestantes no dia 11 de maio efetivamente se concretizou.

Redação Web
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