Bendine renuncia à presidência e ao Conselho da Petrobras

O presidente da Petrobras Aldemir Bendine, renunciou  ao comando da estatal e ao cargo que ocupava no Conselho de Administração da companhia, em carta enviada nesta segunda-feira (30) aos membros do Conselho.
Bendine estava no comando da petroleira desde o ano passado, quando foi nomeado pelo governo da presidente afastada Dilma Rousseff.
Ele ficaria no cargo até que fosse aprovada a indicação de Pedro Parente ao posto, feita na semana passada. Mas o Conselho da estatal terminou sua última reunião sem decidir sobre a mudança.
A assessoria de imprensa da Presidência da República no governo em exercício Temer anunciou no último dia 19 que Parente seria o novo presidente da Petrobras. O anúncio ocorreu após sua ida ao Palácio do Planalto para conversa com o presidente em exercício.
De acordo com o colunista Gerson Camarotti, o convite a Parente fez parte da estratégia de Temer de colocar no segundo escalão os chamados "notáveis", com perfil mais técnico. A escolha tem como objetivo blindar a Petrobras, alvo do maior escândalo de corrupção no governo Dilma. O loteamento político da estatal por PT, PMDB e PP é o foco da investigação da Operação Lava Jato.

Leia a íntegra da carta:
Caros colegas,
Gostaria de comunicar a vocês que apresentei hoje, ao Conselho de Administração, minha carta de renúncia ao posto de diretor-presidente da Petrobras. Tomei esta decisão para que os conselheiros possam conduzir as propostas de mudança na diretoria feitas pelo acionista controlador sem sobressaltos que possam prejudicar os interesses da companhia.
Deixo esta empresa com a enorme satisfação de ter podido participar da história da maior empresa do Brasil, que dá os primeiros passos para virar a página da maior crise do nosso mundo corporativo e voltar a ser orgulho de todos os brasileiros.
Cheguei aqui no momento de maior pessimismo com os rumos da companhia. Sem um balanço financeiro avalizado, corríamos o risco concreto da execução precoce das nossas dívidas.
Lidávamos ali com o muitos chamam de “tempestade perfeita”: uma conjuntura adversa em que problemas de natureza distinta se sobrepõem e se potencializam. Não bastasse a queda aguda nos preços do petróleo, fomos obrigados a enfrentar forte desvalorização do real frente ao dólar e lidar com as descobertas da Operação Lava Jato, que revelou um conjunto de crimes praticados contra a companhia, com a participação inclusive de ex-executivos da empresa.
Não havia dúvida de que os desafios eram enormes, mas o contato com a brilhante força de trabalho desta empresa me deixou cheio de confiança de que superaríamos todos. Hoje, quinze meses depois, são muitas as vitórias que podemos comemorar juntos.
Da ameaça de apagão financeiro, chegamos a um caixa robusto, superior a 100 bilhões de reais. Essa marca é resultado direto do corte nos investimentos e do enxugamento nos custos operacionais, que fizeram com que nossas despesas fossem menores que nossas receitas pela primeira vez desde 2008.
Em outra frente, redesenhamos a estrutura organizacional na busca de construir uma Petrobras mais leve e moderna, compatível com o momento atual que vive o setor de óleo e gás no mundo.
Todo o modelo decisório foi revisto, assegurando que as decisões estratégicas e a contratação de fornecedores sejam sempre colegiadas. Uma empresa em que os critérios técnicos guiem as decisões e em que seus executivos não ajam como senhores, mas como servidores dos interesses da empresa.
Não poderia deixar de manifestar minha gratidão e meu reconhecimento aos meus colegas da diretoria executiva, com quem dividi as decisões tomadas ao longo deste período. O profissionalismo, o talento e o amor de vocês pela Petrobras foi uma fonte permanente de estímulo e aprendizado.
Também agradeço aos conselheiros, que demonstraram compreensão clara dos obstáculos no caminho da Petrobras e se empenharam vigorosamente na busca de meios para superá-los.
Por fim, deixo meu agradecimento a todos os empregados e colaboradores da Petrobras, em todos os postos no Brasil e no exterior. Os desafios pela frente são enormes, mas não há time mais preparado, coeso e qualificado para enfrentá-los que vocês.
Um forte abraço deste petroleiro
Aldemir Bendine

G1
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