Cearense é pivô do primeiro escândalo do governo Temer

Pivô de delação que tira hoje o sono da cúpula do PMDB, e que provocou a queda do ministro do Planejamento Romero Jucá, o cearense Sergio Machado é dono de trajetória singular na política local e nacional. Empresário de sucesso na juventude alçado a um dos homens mais poderosos do governo Tasso Jereissati (PSDB), Machado já nutriu ambições pelo governo do Estado e acabou se tornando um dos mais longevos executivos dos governos petistas.
Presidente da Transpetro de 2003 até fevereiro de 2015, o cearense é acusado de operar em nome de seu “padrinho” na estatal, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em delação, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse ter recebido R$ 500 mil de propinas dele.
Em dezembro do ano passado, sua casa em Fortaleza, no bairro Dunas, foi alvo de busca e apreensão na Operação Lava Jato. Desde então, tem se defendido com postura discreta, distante dos holofotes. No início deste mês, foi alvo de novo pedido de inquérito.
Desde a semana retrasada, O POVO tenta diariamente entrar em contato com Machado. Nas redes sociais, o ex-presidente da Transpetro trocou o nome pelo qual fez carreira política por seus nomes menos conhecidos - “José Oliveira”.

“Samurai do Cambeba”
Filho do ex-ministro de João Goulart, Expedito Machado, Sergio ingressou na vida pública nos anos 1980 como um dos cabeças do movimento que, ao lado de Tasso Jereissati, ficou conhecido como “geração Cambeba”. Coordenador da campanha de Tasso e secretário de Governo do 1º mandato do hoje tucano, coordenou o chamado choque administrativo, que fez cortes radicais e polêmicos na máquina do Estado.
Pelo estilo agressivo, o farto bigode e os cortes que comandou, ganhou a alcunha de “samurai do Cambeba”. Se a campanha rendeu prestígio, o desgaste tornou inviável sua candidatura ao governo. Em 1990, chegou a colocar pré-campanha na rua. O Cambeba, no entanto, preferiu lançar o jovem Ciro Gomes ao cargo. Tasso e Sérgio romperam.
O cearense se aproximou do comando nacional do PSDB, se elegendo deputado e senador, e atuando como líder de FHC no Senado. Em 2001, ajudou a eleger Aécio Neves (PSDB) presidente da Câmara. Em 2002, causou surpresa ao voltar para o PMDB para disputar o governo do Ceará. Ficou em 3º lugar.
Apesar de ter apoiado José Serra (PSDB) para a Presidência em 2002, foi indicado por Renan Calheiros na Transpetro, onde permaneceu por mais de doze anos.

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