Especialistas alegam falta de verba para Saúde

A única solução para a crise no sistema de Saúde é a ampliação dos recursos federais para o Estado. É o que apontam especialistas em gestão pública e entidades médicas para enfrentar o cenário detalhado, na edição de ontem, no Diário do Nordeste. Mesmo com promessas do governo estadual e municipal, em um ano, se observa ainda a permanência de pacientes nos corredores e continuidade da carência de leitos, remédios e profissionais, dentre outros gargalos.
“O que precisa se discutir é a falta de investimento do Governo Federal para a Saúde. É uma crise nacional. Não tem estado e município que consiga arcar sozinhos com a saúde pública. A tabela de preços do Sistema Único de Saúde (SUS) está congelada há 14 anos, foram fechados 25 mil leitos no Brasil de maio de 2010 a maio de 2015 e, nos últimos anos, cerca de 750 mil pessoas perderam o plano de saúde”, analisa o médico Lineu Jucá, que atuou no Instituto Dr. José Frota (IJF) por 36 anos.
Para ele, não é possível pensar em ações paliativas uma vez que não existe forma de pagá-las. O médico reconhece que apesar da situação ser caótica no Ceará, tanto Prefeitura quanto Estado estão se dispondo a arcar com valores muito acima do mínimo estabelecido pela Emenda 29, que determina que Estados invistam, no mínimo, 12% da receita em serviços públicos de saúde. Para municípios, o mínimo é de 15%. “Aqui, o Estado gasta 16% e a Prefeitura 28%. É bem acima e não resolve”, diz.
O discurso é reforçado pela presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Mayra Pinheiro, que critica a falta de poder político para viabilizar recursos. “Falta uma estratégia polícia. Sabemos que isso é uma realidade em todos os estados, mas em Pernambuco, por exemplo, eles conseguiram valores adicionais. Aqui, temos governo municipal e estadual que não conseguem fechar pactos federativos”, disse ela, afirmando que foram apresentadas pela entidade soluções para curto, médio e longo prazo.

Espera
O sindicato é contrário a algumas soluções apresentadas, como a construção do IJF 2. “O IJF tem corredor, fila de espera de três anos para uma cirurgia, falta muita coisa. Não tem custeio. Como vai pensar em resolver esse problema com outra unidade? O Hospital de Quixeramobim foi construído com uma superestrutura que não funciona porque não tem como manter”, critica Mayra.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (CREMEC-CE) reforça que a falta de verba é um problema que se arrasta e contribui para uma saúde deficitária. “Pelo o momento econômico que o País atravessa é impossível vislumbrar uma melhora, já que o que se precisa é dinheiro”, opina a coordenadora da comissão de fiscalização do Cremec, Neodan Tavares.

Diário do Nordeste
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