Mais Médicos terá menos estrangeiros

A participação de estrangeiros no Mais Médicos será reduzida depois das eleições municipais. A ideia do Ministério da Saúde é renegociar, a partir do próximo ano, o contrato feito com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), para o recrutamento dos profissionais. Atualmente, 73% dos médicos que atuam no programa são estrangeiros. A maioria cubanos.
A mudança não será de uma só vez. A intenção é fazer um ajuste programado, até que o número de profissionais trazidos por meio de contrato da Opas se reduza de forma expressiva. Pelos cálculos iniciais, permaneceriam no Mais Médicos cerca de 3 mil dos 11 mil estrangeiros que atuam no programa no momento. Eles ficariam com vagas consideradas de difícil preenchimento, como distritos sanitários indígenas e cidades muito afastadas de grandes centros. 
Lançado há três anos numa resposta às manifestações de rua que reivindicavam melhorias nos serviços de saúde, o Mais Médicos somente foi a diante em virtude da contratação de estrangeiros. Para driblar a resistência de médicos brasileiros, o governo permitiu que formados em outros países atuassem no Brasil sem a necessidade da validação do diploma.
Essa era a maior crítica de entidades de classe, que chegaram até mesmo a romper com Ministério da Saúde. Para associações médicas, o ideal seria criar, em vez do Mais Médicos, uma carreira federal para a área, a exemplo da magistratura.
O governo recorreu à Opas para contratação em massa dos estrangeiros. A lei que criou o Mais Médicos previu um prazo de 3 anos para que estrangeiros trabalhassem no programa sem validação do diploma. Passado esse prazo, eles teriam de retornar a seus países de origem. Há duas semanas, no último ato da presidente Dilma Rousseff na área de saúde, o prazo foi prorrogado. Com isso, 7 mil profissionais, que teriam de voltar para seus países de origem até maio, podem agora permanecer no Brasil atuando no programa.
A medida, de acordo com a presidente afastada Dilma Rousseff, foi feita para atender pedidos de prefeitos. O medo maior era de que, às vésperas das eleições municipais, serviços de saúde tivessem uma redução abrupta no número de profissionais atuantes. 
Apesar das críticas de associações de classe, o Mais Médicos e, sobretudo o recrutamento de médicos estrangeiros, foi muito bem avaliado pela população. Profissionais cubanos teriam mais disponibilidade para trabalho, por morarem na região e terem um baixo índice de desistência. 
A prorrogação do prazo, contudo, foi mal recebida por médicos que, a partir de mudanças realizadas recentemente, passaram a enxergar no programa como uma ótima ferramenta para facilitar o acesso a uma vaga nos cursos de residência médica. Médicos brasileiros interessados em participar do programa recebem um bônus na prova, considerado essencial para melhorar as chances de aprovação.
Barros ao assumir afirmou apenas que iria incentivar a participação de brasileiros, sem dizer os mecanismos que seriam adotados. A ideia de anular a prorrogação prevista pela presidente afastada foi descartada, a princípio. Ele preferiu adotar uma regra de transição, uma mudança que mude aos poucos a proporção. Com isso ele agrada ao mesmo tempo tanto médicos  quanto prefeitos.

Estadão Conteúdo
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