Membros da Transparência no Ceará entregam os cargos contra mudanças

O chefe da Controladoria Regional da União no Estado do Ceará, Roberto Vieira Medeiros, e todos os 80 servidores do órgão, entre técnicos e analistas, pediram exoneração dos cargos nesta segunda-feira (30). A saída foi em protesto à mudança de status e de subordinação da CGU, que deixou de fazer parte da estrutura da Presidência da República para integrar o organograma do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.
A CGU foi extinta pelo presidente em exercício, Michel Temer, e teve suas atribuições absorvidas pelo recém-criado Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, chefiado por Fabiano Silveira. Os funcionários também pedem o afastamento imediato do ministro. "Ele não nos representa", desabafa a analista de finanças e Controle da CGU no Ceará, Michele Lima.
Cerca de 16 caravanas de todo o Brasil estão se dirigindo à Brasília para se unir aos servidores da sede e protestar conta a extinção da CGU. "São 15 anos de história que não podem se perdidos por qualquer mudanças de governo", diz Edilberto Barreto, presidente no Ceará do Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical).
"Por ser um órgão de controle e fiscalização, nós não temos perfil de ministério e não podemos estar subordinados a um. Nós precisamos estar subordinados à Presidência da República, pois temos ação de fiscalização e avaliação de programas de governo, fiscalização de destinação e aplicação de rcursos públicos e até apuração de denúncias. É um órgão que tem atuação reconhecida pela Transparência Internacional e que precisa ter autonomia", diz Edilberto Barreto.

Lavagem
Na manhã desta segunda-feira, o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical) – entidade que representa os servidores da extinta Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tesoureiro Nacional – cobrou, por meio de nota, a "exoneração imediata" do ministro da Transparência.
Além disso, servidores da pasta organizaram uma manifestação nesta segunda para pedir a saída de Silveira do comando do Ministério da Transparência. No ato, os funcionários da extinta CGU lavaram as escadas do prédio que abriga o órgão de combate à corrupção no governo federal.
Após se reunir com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil), o presidente em exercício Michel Temer decidiu nesta segunda-feira que, "por enquanto", manterá Fabiano Silveira no comando do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle, afirmaram ao G1 assessores do Palácio do Planalto. Segundo relatos de pessoas próximas a Temer, o peemedebista aguardará a repercussão política do caso antes de tomar uma decisão definitiva.

Críticas à Lava Jato
Neste domingo (29), reportagem exclusiva do Fantástico revelou gravações na qual o ministro critica a condução da Operação Lava Jato pela Procuradoria Geral da República (PGR) e dá conselhos a investigados em uma conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-presidente da Transpetro, novo delator do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
O presidente do Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon Sindical), Rudinei Marques, afirmou durante o protesto que a lavagem das escadas "trata-se de um ato simbólico, porque é inaceitável que alguém nessa posição cometa os desatinos que ele [ministro] cometeu".
"As gravações divulgadas ontem [domingo] mostram que ele [Fabiano Silveira] estava fazendo a ingerência junto à autoridades e órgãos públicos para proteger seus aliados políticos. E isso é inaceitável num órgão que tem por missão institucional, zelar pelo dinheiro público e pela transparência", disse Marques.

Gravações
Cerca de três meses antes de assumir o Ministério da Transparência, Fabiano Silveira esteve em uma reunião na residência oficial de Renan Calheiros na qual a Operação Lava Jato foi amplamente discutida.
Participam da reunião, além de Sérgio Machado e Renan Calheiros, Bruno Mendes, advogado e ex-assessor do presidente do Senado, e Fabiano Silveira, que, à época, integrava o Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
No encontro, relatou o ex-presidente da Transpetro aos investigadores, foram discutidas as providências e ações que ele estava pensando em relação à Operação Lava Jato.
No áudio, é possível entender que Fabiano Silveira orienta Renan e Sérgio Machado sobre como se comportar em relação à PGR. A qualidade do áudio é ruim, há varias pessoas na sala, mas é possível identificar as vozes do presidente do Senado, do ex-presidente da Transpetro, de Fabiano Silveira e de Bruno Mendes.

G1
    Comente pelo Disqus
    Comente pelo Facebook
#Compartilhe