Milhões de litros de água se perdem em caminhos das adutoras

Milhões de litros de água escorrem desavisados todos os dias pelas estruturas hídricas do País. O Nordeste, que tanto sofre com as secas, é o que mais perde água, comparado à proporção que recebe: 40,6% do que acumula em reservatório – a média no Brasil, já bastante alta, é de 30%.
Enquanto se carece de água, ela encarece. Paga-se cada vez mais caro pelo produto derramado. A escassez fortalece o conflito: quem bebe versus quem planta. Mas todos bebem e é necessário fazer a roda girar ao contrário e garantir o abastecimento humano antes da irrigação e pecuária. Onde água, terra e poder se confundem, nem sempre a lógica é obedecida, até faltar definitivamente.
Todos os anos, centenas de municípios enviam o pedido de decreto de Situação de Emergência para garantir novos recursos e, inclusive, fazerem contratos sem licitação. Fingem economia do dinheiro público, do tipo não realizar Carnaval, mas mantêm o ralo aberto com grandes gastos para pequenos serviços.
Os maiores rombos nas prefeituras se dão em locações de produtos, de carros a impressoras, em contratos com empresas de origem duvidosa. O desvio de finalidade é uma gota que conta onde até a chuva é desigual. Enquanto se espera por um céu bonito para chover, o discurso político manobra a água como promessa.
Se já não chove mais, então, a natureza é quem castiga. Mas é dito que o sertanejo resiste a tudo. Passa por toda má sorte e é resiliente até quando morre. Vista de forma crítica, no entanto, a história das secas prova que mais sobrevive quem se beneficia dela: o corrupto. Esse, sim, é, antes de tudo, um forte!

Diário do Nordeste
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