Por 74 a 0, Delcídio do Amaral tem mandato cassado no Senado

Em uma sessão rápida e com quase nenhum debate, ao menos sobre o caso em questão, oSenado aprovou na noite desta terça-feira (10) a cassação do mandato do senador Delcídio do Amaral (ex-PT-MS) por quebra de decoro parlamentar por 74 votos favoráveis e 1 abstenção. Nenhum senador votou contra.
Ele fica, a partir de agora, inelegível por oito anos, embora a defesa do senador prometa recorrer à Justiça da decisão dessa noite. Delcídio foi cassado por quebra de decoro parlamentar. Seu mandato terminaria em 2018. No seu lugar, assume o empresário sul-matogrossense Pedro Chaves dos Santos (PSC-MS). A única abstenção foi do senador João Alberto (PMDB-MA), presidente do Conselho de Ética do Senado. 
Conforme o rito estabelecido, primeiro falaram os dois relatores do processo no Senado. Telmário Mota (PDT-RR), que elaborou o parecer no Conselho de Ética, e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Depois foi a vez de Randolfe Rodrigues (Rede-AP), representando o partido autor da representação que pediu a cassação do senador.
Embora tenha sido dado tempo para a manifestação da defesa, Delcídio e seus advogados não compareceram à sessão. Para que fosse escolhido um defensor dativo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), suspendeu os trabalhos por alguns minutos.
Quem leu a defesa de Delcídio foi Danilo Aguiar, consultor-geral do Senado. Ele reiterou os argumentos utilizados pelos advogados do senador nos colegiados na tribuna do plenário. Não foi interrompido. Também não teve a atenção dos senadores que passaram a sessão em conversas paralelas e pouco prestaram atenção ao que se dizia sobre o caso do ex-petista.

Afastamento de Delcídio do Senado
Após cinco meses e meio afastado do Senado por ter sido preso pela Operação Lava-Jato, Delcídio voltou à Casa pela primeira vez nesta segunda (9) para se defender pessoalmente na reunião da CCJ que analisava a constitucionalidade e juridicidade do processo contra ele.
Ele e seus advogados saíram da reunião convencidos de que o senador teria mais tempo de sobrevida porque a comissão havia adiado a decisão para pedir à Procuradoria-Geral da República informações sobre o aditamento feito à denúncia contra o senador junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada.
O senador chegou a dizer a jornalistas que retomaria seu trabalho normalmente na Casa e que iria convencer seus pares de que a punição com a cassação do mandato era muito dura. Na comissão, ele pediu desculpas pelos erros cometidos e questionou alguns dos argumentos da acusação, como o que afirma que ele tramou a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, também preso pela Lava-Jato.

Folhapress
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