Professores estão em greve há 22 dias; 41 escolas ocupadas

Após 22 dias de greve dos professores da rede pública, o secretário de Educação do Ceará, Idilvan Alencar, recebeu, ontem, o sindicato Apeoc (Associação dos Professores de Estabelecimentos Oficiais do Ceará), em nova rodada de negociação visando definir os rumos do movimento. Apesar de se reafirmar os compromissos assumidos no encontro anterior, segundo disse o presidente do Sindicato, Anísio Melo, não houve avanço em relação ao item principal da pauta: o reajuste salarial da categoria. A continuidade da greve será definido em assembleia marcada para amanhã.
"Ele referenciou todos os pontos da merenda escolar, sobre a manutenção das escolas, sobre o reajuste diferenciado via Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). Ele assinou portaria para agilizar os recursos nas unidades e reafirmou o compromisso do governador em não aderir ao PLC 257 (que renegocia a dívida do Estado com a União, com a imposição de ajuste fiscal que pode refletir nos servidores), mesmo que ele passe no Congresso Nacional", ressaltou o professor. A expectativa da categoria, com base em promessa da gestão, é que seja anunciado um posicionamento sobre o reajuste no dia 6 de junho. Os professores pedem aumento de 12,67%.
No último dia 6, a greve foi considerada ilegal pelo Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), que pediu a suspensão do movimento. Para o desembargador Durval Aires Filho, autor da decisão, a greve não atendeu as determinações legais já que havia uma negociação em curso no ato de sua deflagração. O sindicato Apeoc protocolou recurso na última quinta-feira (12) na tentativa de cassar a liminar.
Enquanto isso, o movimento de ocupação das escolas, por parte dos estudantes, que hoje completa 20 dias, vem crescendo. Até ontem, segundo levantamento da Seduc, 41 unidades estavam ocupadas no Ceará. Destas, 31 estão localizadas em Fortaleza, três em Maracanaú, três em Juazeiro do Norte, dois no Crato, uma em Crateús e uma em Acaraú. Entre as reivindicações, os estudantes pedem melhor estrutura das unidades, maior qualidade na merenda escolar e passe livre estudantil.
A Escola de Ensino Fundamental e Médio Noel Hugnen de Oliveira Paiva, no bairro Lagamar, e ocupada há cerca de uma semana, é um dos exemplos do movimento estudantil na Capital. Além das pautas unificadas ao movimento geral, os alunos apontam demandas específicas, como o investimento por parte da Seduc no Ensino Médio.

Responsabilidade
"Tentaram municipalizar a escola no ano passado. Os alunos se juntaram e conseguiram manter o ensino médio, mas a Seduc jogou a responsabilidade de manter a escola neles e passou a não investir mais. Queremos iniciativas para trazer mais alunos, uma reforma estrutural, reforma na grade curricular", diz a estudante Adriana Gerônimo.
Segundo ressalta, a classe estudantil espera mais do que foi anunciado no pacote de medidas do governo do Estado, na semana passada, acrescentando que o fim da greve dos professores não garante o término do movimento por parte dos estudantes. "Só uma reforma não vai mudar a nossa realidade. Essa escola atende ao grande Lagamar e à Cidade de Deus. O movimento não vai acabar até que a Seduc decida investir", diz.
A Secretaria da Educação do Estado reforçou manter o diálogo com representantes dos professores e dos alunos para acolher as reivindicações em prol de melhorias. A Seduc diz ainda que a Escola Noel Hugnen de Oliveira Paiva vem sendo atendida normalmente com recursos para manutenção, consumo e alimentação escolar, e que a matrícula de alunos na unidade foi ampliada em 20% entre 2015 e 2016.


Diário doNordeste
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