Senadores do Ceará comentam afastamento

Os três senadores cearenses passaram praticamente o dia inteiro e a noite no Senado Federal, onde acontecia a sessão história que decida o futuro da presidente Dilma Rousseff. Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB) declararam voto favorável ao impeachment, enquanto José Pimentel (PT), um dos líderes do governo na Casa, se manifestou contrariamente ao afastamento da correligionária.

Pimentel, permaneceu na Casa, oscilando entre momentos no Plenário e em reuniões. No fechamento desta edição, o discurso dele no plenário, que iria ser feito de improviso, estava previsto para as 4h30, já na madrugada de hoje.
Antes, entretanto, em entrevista ao Diário do Nordeste, o senador disse não haver crime de responsabilidade. O que há, sim, disse ele, é o fato de o PMDB tentar entrar no governo pela porta dos fundos.
"Esse impeachment foi comprado por R$ 45 mil à advogada Janaína Pascoal. Depois foi dado entrada na Câmara e passou por avaliação prévia do deputado afastado Eduardo Cunha. E, no início de dezembro, recebido por conta de uma retaliação contra o PT", disse, ao complementar que esta é a primeira vez que um presidente da República é responsabilizado por aquilo que ele não é parte. "Não tem nenhum ato de corrupção e nem lesivo. Não tem nenhuma base legal", reforçou o parlamentar.
Demonstrando o clima de rompimento com o outrora aliado PMDB, Pimentel alfinetou o ex-aliado ao se referir à parceria entre os dois partidos. "A razão de ser de todo partido político é chegar ao poder. Parte deles opta por fazer isso pelo voto democrático e popular. Outros, que não têm essa capacidade, preferem entrar pela porta dos fundos, através de um golpe em um pedido de impeachment sem base legal", ironizou.


Quando foi fazer a inscrição para falar na sessão que decidiu o afastamento de Dilma, Eunício constatou que ficaria só no 4º bloco de inscrições. Por isso, ele não se inscreveu e ficou aguardando para ver até que horas iria a sessão. O líder do PMDB no Senado afirmou, antes, que votaria sim, favorável ao prosseguimento do impeachment. A justificativa dele, que procurou ser discreto durante a tramitação do processo, tem como base a 'perda de força' do governo Dilma de liderar o processo de retomada do crescimento.
Eunício disse ter respeito por Dilma. Para ele, a presidente é uma pessoa séria. "Considero que não haja desvio na conduta pessoal, mas que não há mais clima para que ela continue. É doloroso constatar que o governo não tem mais força. É um processo duro, mas, neste momento, necessário".
"Eu procurei ter equilíbrio nesse processo. E por que isso? Porque Dilma foi, sempre, muito correta comigo e com o Ceará", reforçou, ao complementar que o rompimento da aliança entre o seu partido e o PT se deu ainda em 2014, após a eleições.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), cujo discurso estava previsto para 1h30, afirmou que votaria a favor da admissibilidade do processo de impeachment em virtude da comprovação do crime de responsabilidade cometido por ela e também pelos brasileiros. "Nós vamos votar favorável em função de estar sobejamente comprovado o crime de responsabilidade cometido por esse governo e em função de outras transgressões que apareceram e aparecerão durante esse processo", disse.
Na entrevista ao Diário do Nordeste, o tucano ressaltou ainda que também vota pelos brasileiros "que não suportam mais viver com a economia em destroços" e que possuem uma presidente que não consegue mais erguer a economia e devolver os empregos perdidos.


Diário do Nordeste
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