“Sistema prisional do Ceará é uma bomba relógio”, critica Conselho Penitenciário

A crise carcerária que aflige o sistema penitenciário do Estado atingiu nível nunca antes visto neste fim de semana. Para o vice-presidente do Conselho de Políticas Penitenciárias do Estado do Ceará (Copen), Cláudio Justa, responsável por avaliar as condições do cumprimento das penas em presídios, a situação é crítica.
Em entrevista ao Tribuna do Ceará, o representante do Copen entende que é uma questão de tempo para que novas rebeliões aconteçam. “É uma verdadeira bomba relógio. Há uma superpopulação carcerária, uma insuficiência de agentes, insuficiência de remuneração. Essas questões atingem diariamente o sistema penitenciário”, ressaltou.
Ainda conforme Cláudio Justa, as rebeliões do último fim de semana serviram como uma oportunidade para os detentos. “A greve dos agentes penitenciários foi apenas a oportunidade que os detentos precisavam para desencadear uma das mais graves crises que o sistema penitenciário no Ceará já teve. Importante ressaltarmos que essa mesma crise penitenciária possui reflexos diretos na segurança públicos por dois motivos: o contingente de policiais que está sendo direcionado para conter as rebeliões deixa de ser responsável pela segurança nas ruas e a situação dos presídios atual não ressocializa os presos, reforçando uma situação de reincidência e fragilizando ainda mais a segurança no Estado”, avalia.

Rebeliões
Uma série de rebeliões simultâneas ocorreu em pelo menos oito presídios do Ceará, na manhã e início da tarde deste sábado (21). A manifestação dos presos se deveu à greve dos agentes penitenciários iniciada nesta sexta-feira (20), que impediu a entrada de familiares dos detentos na visita semanal deste sábado.
As manifestações dos detentos iniciaram no sábado pela manhã, quando rebeliões em série ocorreram nas unidades prisionais CPPL I, II, III e IV e no presídio feminino, todos localizados em Itaitinga, a 32 quilômetros de Fortaleza. Além destes presídios, motins também foram registrados na Unidade Prisional de Caucaia, popularmente conhecida como “Carrapicho”, e na Cadeia Pública de Camocim, a 350 km de Fortaleza.

Mortes em presídios
O número de presos mortos durante o fim de semana ainda permanece desconhecido. Segundo a Secretaria de Justiça do Ceará (Sejus), cinco internos foram mortos durante as rebeliões. No entanto, conforme a Perícia Forense, oito internos teriam sido mortos durante os conflitos.
O Tribuna do Ceará apurou que os números reais de mortos dentro das unidades prisionais não condiz com a contabilidade divulgada pelos órgãos. Ao todo, pelo menos 26 internos teriam sido mortos nestas unidades prisionais, desde o fim de semana.

Tribuna do Ceará
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