X-Men – Apocalipse (2016): o mais “Héroi” dos filmes mutantes

Apesar de ser o exemplar mais fraco desta segunda trilogia da equipe mutante nos cinemas, o longa também é, o mais divertido da série, graças ao seu renovado rol de heróis

A franquia “X-Men”, certamente, é uma das maiores do portfólio da Fox, já perdurando 16 anos e com este “X-Men – Apocalipse”, entrando em seu nono episódio cinematográfico. Não é segredo para ninguém que o primeiro filme da série, lá em 2000, foi um dos pilares sobre os quais o subgênero de filmes baseados em quadrinhos se ergueram.
Aquele longa (o de 2000) e os capítulos que o sucederam eram mais voltados para ficção científica, com pitadas de super-heróis aqui e ali, alcançando variados graus de sucesso, tendo seus picos nos ótimos “X-Men 2”  e “X-Men – Primeira Classe”. Em um mundo pós-Marvel Studios, no entanto, o novo filme da franquia está mais para o superheróico fantástico, deixando um pouco de lado o lado sci-fi mais sério e o foco no preconceito sofrido pelos mutantes (principal tema abordado nos outros filmes).
O roteiro traz o primeiro grande supervilão da saga, Apocalipse, um mutante com mais de cinco mil anos de idade que ressurge nos anos 1980 com o objetivo de conquistar o mundo, recrutando para isso seguidores como a jovem Tempestade, o furioso Anjo, a guerreira Psylocke e Magneto que vinha tentando viver uma existência pacífica, mas cai no discurso do vilão após uma nova tragédia.
Cabe então ao Professor Xavier, Fera e Mística liderarem um novo grupo de jovens e inexperientes X-Men para salvarem o mundo. Dentre os “novatos”, estão Scott “Ciclope” Summers, que recém descobriu seus dons mutantes, Jean Grey que mesmo sem ter pleno controle sobre seus dons de telepatia e telecinese já se mostra extremamente poderosa; Noturno, que fora resgatado por Mística de arenas ilegais de luta na Alemanha Oriental e Peter Maximoff, o jovem velocista que havia ajudado os X-Men na aventura anterior e agora, ressurge buscando respostas sobre suas origens.
Um ponto positivo é que cada um dos heróis possui um arco próprio, embora alguns se mostrem extremamente batidos,  mas todos os plots envolvendo os jovens X-Men são bem explorados, mesmo com ressalvas como uma morte inútil e uma não-resolução forçada para deixar um gancho para eventual continuação.
O fato das set-pieces envolverem figuras cuja face conhecemos e que aparecem como únicas dentro da projeção faz com que a gente se envolva muito mais nas grandes cenas do que em filmes como “Vingadores – Era de Ultron”, que trazia os heróis combatendo soldados padrões completamente desprovidos de personalidade.  O combate entre os grupos rivais é plasticamente interessante, a ótima cena de Peter (Mércurio) na escola é fantástica (deixando sua participação no capítulo anterior no chinelo), mas o duelo entre Xavier e Apocalipse no Plano Astral frustra pelo leque de possibilidades não exploradas ali.
Apesar de seus problemas (entre eles o vilão), o saldo de “X-Men – Apocalipse” ainda é positivo, por ser o mais divertido dos filmes da série, mantendo nosso interesse até o fim.

P.S.: Há uma cena pós-créditos que deixa uma ligação para a próxima aventura mutante.

Wilker Magalhães é crítico de cinema e colunista do portal A Voz de Santa Quitéria.
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