10 suspeitos de dar desfalque de R$ 50 milhões na Caixa Econômica são liberados

Dez das 14 pessoas presas em decorrência da 'Operação Caixa Preta', deflagrada no dia 1º de junho pela Polícia Federal (PF), foram soltas na manhã deste domingo (5). Os outros quatro presos já tinham sido liberados, na última sexta-feira (3), após prestarem depoimento. A operação investiga uma organização criminosa composta por funcionários públicos, contadores, empresários e 'laranjas',  que deu um desfalque de R$ 50 milhões na Caixa Econômica Federal (CEF) contratando empréstimos fraudulentos. 
Segundo o coordenador do Grupo de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, delegado Gilson Mapurunga, todas as pessoas capturadas foram ouvidas e nos depoimentos que prestaram citaram nomes que serão investigados. “Novos nomes surgiram e as investigações continuam para identificarmos quem foi beneficiado com os empréstimos e quais funcionários da CEF contribuíram com as fraudes. Certamente outras pessoas precisarão se explicar em relação a participação delas nesse esquema”.
O delegado disse que o material apreendido no dia que a operação foi deflagrada contem muitas informações importantes, que ajudarão a direcionar as investigações daqui em diante. “O volume de contratos é muito grande. Já provado que o esquema existiu, a Polícia agora vai se concentrar em analisar o material para que se tenha uma conclusão de quem são todos os beneficiados e até onde chegou o dinheiro conseguido de forma fraudulenta”, explicou. 

Temporária
As diligências da PF deveriam ser finalizadas em cinco dias, já que este era o tempo em que expiraria as prisões temporárias dos suspeitos. “Algumas pessoas foram liberadas ainda na sexta-feira, depois que foram ouvidas,  por decisão da própria Polícia. A PF pediu que algumas dessas prisões fossem preventivas e obteve parecer favorável do Ministério Público Federal, mas a Justiça achou por bem conceder apenas prisões temporárias”, afirmou Gilson Mapurunga. 
Conforme o delegado, as pessoas presas são suspeitas de integrarem a organização criminosa que contratou 409 empréstimos  fraudulentos junto à CEF. Dentre os presos estão dois ex-gerentes da Instituição. Um deles já havia sido preso, durante a 'Operação Fidúcia', também da Polícia Federal, que investigava um esquema semelhante. 
“Houve um período em que os dois esquemas existiram ao mesmo tempo, mas as empresas de fachada que possibilitaram as fraudes são diferentes. O modo como eles agiram é muito parecido. Tanto os investigados da 'Fidúcia', quanto os da 'Caixa Preta'  aliciavam ‘laranjas’ para abrir empresas de fachada e contratavam empréstimos que jamais seriam pagos”, afirmou o delegado.  
No entanto, os investigados pela 'Operação Caixa Preta' tiveram a expertise de não pedir emprestado grandes valores, para que as transações ficassem a cargo do gerente de pessoa jurídica e não precisassem ser aprovados pela superintendência da CEF. “A maioria dos empréstimos identificados pela 'Operação Caixa Preta' eram de até R$ 200 mil, que é o máximo que fica na alçada do gerente de pessoa física. Porém, alguns fugiam da regra e identificamos empréstimos de até R$ 5 milhões durante as investigações”, disse  Gilson Mapurunga.

Diário do Nordeste
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