Ceará produz 9 mil toneladas de lixo diariamente

Diariamente, cerca de nove mil toneladas de lixo são produzidas no Ceará. Deste montante, apenas 5,8 mil toneladas têm destinação adequada. Agosto de 2014 foi o prazo estabelecido por lei para a extinção dos lixões a céu aberto no Brasil. Dois anos depois, o Ceará ainda conta com 280 lixões, que segue longe de ter uma relação consciente e sustentável com o resíduo sólido produzido. 
“O Ceará não é um caso de sucesso nesse aspecto. Somente 21, dos 184 municípios, têm algum tipo de coleta seletiva”, reconheceu Artur Bruno. O titular da Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Ceará (Sema) participou ontem do II Fórum Estadual de Gestão Pública em Resíduos Sólidos, promovido pela Fundação Demócrito Rocha no hotel Gran Marquise, e explanou a situação do Ceará e os planos para o apoio e adequação dos municípios.
Entre os pontos citados, a criação do Plano Estadual de Resíduos Sólidos, estabelecimento de programas de incetivo do reuso e sustentabilidade e implantação do projeto Selo Município Verde. “Entendemos que gestão dos resíduos sólidos é uma questão municipal, mas temos uma responsabilidade compartilhada”. Para o secretário, o maior investimento tem de ser na educação ambiental. “Acho que essa é nossa tarefa mais importante: mudar a cultura, mudar comportamento”, definiu.

Catadores do Ceará
Segundo Dione Manetti, representante da Associação Nacional dos Carroceiros e Catadores de Materiais Recicláveis (Ancat), há uma crescente organização entre os catadores do Ceará. Para ele, o investimento no trabalho de cooperativas seria uma saída importante para a implantação da coleta seletiva nos municípios. “O principal desafio é convencer as prefeituras para contratarem as cooperativas de catadores, porque somente a coleta e a venda do material não dá viabilidade suficiente para que a cooperativa consiga funcionar de forma adequada, com gestão adequada e, ao mesmo tempo, garantir uma renda digna para os trabalhadores”, afirma. 
Segundo Charliany Morais, integrante do Movimento Nacional de Catadores de Materias Recicláveis no Ceará, tem sido mais fácil falar com “representantes federais do que com os prefeitos”. Durante participação no fórum, ela afirmou que existem 16 organizações em Fortaleza e somente três recebem apoio da Prefeitura.

O POVO Online
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