Crises financeira e política levam prefeitos a desistirem da reeleição, no Brasil

Eleitos para prefeituras há quatro anos, um prefeito de capital, sete de cidades médias e vários de cidades pequenas anunciaram que não vão disputar um novo mandato em outubro.
A dificuldade financeira das prefeituras, a possibilidade de punições nos Tribunais de Contas e a dificuldade em arrecadar fundos para a campanha são os principais motivos das desistências.
Os desistentes são de cidades de diversas partes do país, como Florianópolis (SC), Londrina (PR), Itabuna (BA), Caxias do Sul (RS) e Pelotas (RS).
Desde a aprovação da emenda da reeleição em 1997, a taxa de prefeitos aptos a concorrer novo mandato que desistiram da disputa nas urnas varia entre 23% e 38%.
Nas eleições deste ano, quando 4.258 dos 5.568 prefeitos estão aptos à reeleição, a expectativa é de um índice alto de desistência.
“Pelas conversas com os prefeitos, esse número será crescente”, diz Paulo Ziulkoski, da Confederação Nacional dos Municípios.
O prefeito de Florianópolis, César Souza Júnior (PSD), 37, é um dos que citam a crise financeira e a necessidade de medidas impopulares como principais motivos.
Ele será o único prefeito de capital que, mesmo apto à disputa, não vai às urnas este ano.
“A agenda de um candidato acaba turvando a gestão, não é compatível com as medidas necessárias para fechar as contas do ano”, afirma Souza Júnior à Folha.
Em Londrina, segunda maior cidade do Paraná, outro jovem prefeito desistiu de ir às urnas. Alexandre Kireeff (PSD), 49, comunicou a decisão aos eleitores em uma rede social afirmando que sai para focar na gestão e dar espaço a novos nomes.
Em outras cidades médias, como Itabuna, no sul da Bahia, a dificuldade de financiamento da campanha foi ponto determinante. O prefeito Claudevane Leite (PRB) disse que não iria para disputa por não ter “R$ 5 milhões para gastar na reeleição”.

Sem dinheiro
Nas cidades menores o cenário ainda é pior. Na Bahia, pelo menos 15 prefeitos de municípios pequenos anunciaram nos últimos meses que não vão disputar novo mandato.
Em Queimadas, de 26 mil habitantes, o prefeito Tarcísio de Oliveira (PR) diz que decidiu não disputar novo mandato para “não quebrar a prefeitura”.
A cidade, que vive basicamente de repasses estaduais e federais, tem um orçamento mensal de R$ 3 milhões, mas diz gastar R$ 1,2 milhão só com a folha de pessoal da Educação.
Segundo o prefeito, se disputasse um novo mandato, ele fecharia as contas no vermelho e “armaria uma bomba” para si mesmo.
“Quem vai para a disputa, não quer perder. Então, preferi tirar das costas o peso de ter que fazer barganha política e usar a máquina pública”, diz Oliveira, que não quis nem indicar um possível sucessor. Seus aliados lançarão dois candidatos.
Orlando Santiago (PSD), que está no quinto mandato como prefeito de Santo Estêvão (150 km de Salvador), afirma que este foi o período mais difícil em que geriu a prefeitura, com queda na arrecadação e aumento nas despesas.
E diz que não quer mais: “Tenho mais de 70 anos, estou velho e cansado para tanto problema”.

Folha de S. Paulo
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