FAB barra transporte de órgãos e libera de políticos

Segundo matéria publicada no O Globo, entre os anos de 2013 e 2015, a Força Aérea Brasileira deixou de fornecer aviões para que 153 corações, fígados, pulmões, pâncreas, rins e ossos fossem transplantados.
Sem outra alternativa para as equipes médicas e famílias doadoras e receptoras, os órgãos saudáveis se perderam. Para cada órgão saudável que acaba sendo desperdiçado pela negação de transporte, cinco autoridades são levadas até seus destinos. Em 84 casos, ministros e parlamentares voltavam ou deixavam suas casas rumo a Brasília. Quase 4 mil caronas foram dadas nesses voos.
De acordo com levantamento obtido pelo jornal via Lei de Acesso à Informação, nos mesmos dias em que deixou de atender às demandas de transporte de órgãos, a FAB - a própria fez os registros das recusas com a Central Nacional de Transplantes (CNT), do Ministério da Saúde - atendeu a 716 requisições de ministros do Executivo e presidentes do Supremos, do Senado e da Câmara.
A CNT viabilizou, em 2015, o transporte de 1.164 órgãos e 2.409 tecidos por meio do termo de cooperação com empresas aéreas e FAB. Os órgãos levados na rota comercial foram córneas (1.187), rins (877) e ossos (678).
A FAB disse que não há repasses de recursos específicos para esse tipo de missão e as atuais restrições orçamentárias têm reduzido ainda mais a disponibilidade de horas de voo da Força.
Questionada pelo jornal se é necessária uma obrigação legal para o transporte de órgãos, a FAB respondeu que "não há necessidade de se ter obrigatoriedade legal, entretanto devem existir recursos necessários para a realização dessas missões. A FAB também atende diversas outras demandas da sociedade, como ajuda humanitária em casos de catástrofes naturais e epidemias", afirmou a Força.
No caso do transporte de autoridades, a FAB justificou o porquê de não negar os pedidos dizendo que há legislação específica que determina à FAB cumprir a missão, o que não acontece para o transporte de órgãos.

Redação Web
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