Presidente da Caixa afirma que privatização do banco está fora das discussões

Gilberto Occhi, presidente da Caixa Econômica Federal  desde o dia 1º de junho, afirmou, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, que a privatização da instituição está fora das discussões. “Muito se fala que se vai privatizar a Caixa. Está fora de qualquer escopo. Não tem esse trabalho, esse discurso, essa diretriz”, afirmou.
Segundo Occhi, nem mesmo uma abertura de capital à participação privada está em questão, apesar dos projetos de parceria em loterias, seguridade e cartões. “Vamos continuar com o controle, mas trazer parceiros que possam dar retorno maior sobre as operações e alavancar esses negócios. Queremos fortalecer negócios e melhorar ativos”, ressaltou.
As discussões do IPO da Caixa Seguridade e a renovação do contrato com os franceses (CNP Assurances) estão na agenda da equipe econômica. “Nas loterias, o modelo é uma joint venture. O preço dos ativos está oscilando muito, o que dificulta qualquer negócio. Já a área de cartões é importante e será prioritária para a Caixa. Temos muitas oportunidades”, comentou.
Sobre o motivo do impedimento para abertura do capital da Caixa, Gilberto disse que isso nunca foi avaliado. “Se fosse tão simples assim, já teria sido feito. A Caixa tem característica que a diferencia dos outros bancos, que é a carteira de governo, a prestação de serviços. É diferente de uma abertura de capital, que visa mais à rentabilidade do que ao atendimento social”, contou.
O atual presidente da instituição falou que no passado, o banco era obrigado a tocar qualquer programa de governo, mas que isso mudou muito. “O governo mandava: faz aí. E, depois, tinha de aportar recursos no banco para ele não quebrar. Mudamos muito isso. É claro que todas as vezes que somos chamados para uma negociação com o governo levamos nossa necessidade. Tem discussão de tarifas, de repasses do que é contratado. Essa questão mudou na Caixa. Não dá para falar que um programa é ruim ou bom, mas está nivelado. Sabemos o custo de cada um. Indo para o mercado, temos uma decisão de onde atuar. Mas, quando somos chamados pelo governo para lançar um novo programa, participamos, discutimos a remuneração para ser o agente do programa. Botamos na mesa. O governo topou? Tem de pagar”.
Na conclusão da entrevista  Occhi falou sobre o processo de expansão da Caixa, incluindo os principais erros e acertos. “A Caixa entrou em linhas que não tinha expertise, como crédito rural e financiamentos a grandes empresas. Não é considerar que foi um grande erro, foi um aprendizado. Continuamos forte na habitação, no consignado e crescemos muito na infraestrutura. Estamos focados nesse tripé. Quando se abre mais uma frente, é um aprendizado. A Caixa vai continuar sendo um grande banco de governo, um grande banco da habitação, de prestação de serviços, importante para o governo federal, para Estados e municípios. Não vamos deixar jamais esse viés”.

Redação Web
    Comente pelo Disqus
    Comente pelo Facebook
#Compartilhe