Presidente de comissão volta atrás, e impeachment deve acabar em agosto

O presidente da Comissão Especial do impeachment, senador Raimundo Lira (PMDB-PB) voltou atrás nesta segunda-feira (6) da decisão de encurtar os prazos de trabalho e realizar a votação final do processo ainda em julho. Os prazos de trabalho do colegiado foram mantidos, e a acusação e a defesa da presidente afastada Dilma Rousseff terão 15 dias para apresentar suas alegações finais. Com isso, a votação deve ocorrer no mês de agosto. 
Na última quinta-feira (2), o presidente da Comissão acatou questão de ordem encurtando o cronograma do processo na Casa. Assim, o prazo para considerações finais caiu de 30 para dez dias, o que gerou um princípio de tumulto no colegiado entre aliados da presidente afastada Dilma Rousseff e parlamentares favoráveis ao afastamento da petista.
A mudança faria com que o fim do processo ocorresse já no dia 12 de julho, e não no início de agosto, como previsto inicialmente. 
O ex-ministro da Justiça e ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, que defende Dilma, recorreu ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Conforme apurou o jornal Folha de São Paulo, com a sinalização de que o ministro derrubaria a decisão da comissão, Lira decidiu rever sua posição.  Após a votação da admissibilidade do impeachment de Dilma, que culminou com o afastamento por até 180 dias da petista do cargo, Lewandowski passou a ser o responsável pelo processo.
Com a volta ao planejamento original do relator Antonio Anastasia (PSDB­-MG), baseado no rito do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, o período para as considerações finais da acuação deve ocorrer entre 21 de junho e 5 de julho. Já a defesa deve se pronunciar entre os dias 6 e 21 de julho.
A questão de ordem acatada por Lira havia sido formulada pela senadora Simone Tebet (PMDB­-MS), que alegou que na época do impeachment de Collor não havia uma legislação específica para delimitar prazos para considerações finais.

Renan criticou mudança
Na última sexta-feira (3), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), divulgou nota em que disse ver com "preocupação as iniciativas de comprimir os prazos" na tramitação do processo de impeachment de Dilma Rousseff.
No início da reunião desta segunda, Lira comunicou aos demais senadores que tomou a decisão depois de conversar com outros colegas. Ele também informou que Tebet não irá recorrer da mudança de calendário.
O presidente do colegiado foi elogiado por senadores que defendem Dilma. "O senhor restabelece, sem dúvida, um direito que estava sendo tirado da presidente Dilma, o direito de defesa", afirmou Telmário Mota (PDT-RR).
Dessa forma, a comissão deve aprovar, ainda nesta segunda, o cronograma proposto por Anastasia. Nele, a previsão é de que Dilma Rousseff seja interrogada pela comissão em 20 de junho.

* Com informações da Folhapress.
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