Temer projeta retomada da economia brasileira em dois anos e meio

O presidente em exercício Michel Temer fez um prognóstico de quanto tempo será necessário para a economia brasileira sair da crise. "Em dois anos e meio dá para colocar o Brasil nos trilhos", afirmou em entrevista ao jornalista Roberto D'Avila, da Globonews. "A primeira coisa que devemos fazer é restabelecer a confiança", declarou. O presidente disse ter percebido "esperança nos investidores americanos", mas não confirmou se os Estados Unidos serão o primeiro destino de uma viagem internacional, caso seja mantido definitivamente no cargo. "O que estamos fazendo na política externa é universalizando o Brasil", definiu. 
Temer afirmou que não há mais interesse na diferenciação entre pessoas de direita e de esquerda. O presidente interino voltou a prometer que manterá programas sociais de combate à miséria. "Enquanto houver pobreza extrema no País, temos de manter o Bolsa Família" afirmou. Ele destacou também que seu governo vai "verificar se a manutenção de crianças na escola está sendo cumprida pelas famílias (beneficiárias dos programas assistenciais". Temer afirmou que os porcentuais mínimos de investimento em saúde e educação serão mantidos.

Antecipação do impeachment seria ideal
Michel Temer afirmou que seria melhor que a conclusão do processo de impeachment de Dilma Rousseff fosse antecipada para evitar uma "saia justa" política durante a Olimpíada no Rio. Questionado sobre se a presença de dois presidentes no evento não provocaria um embaraço internacional, ele declarou: "Não ficou bem [o cronograma do processo]. Eu diria que se o processo de impedimento se antecipasse, seria melhor. Seja a meu favor ou a favor de Dilma", afirmou.
Na semana passada, o Comitê Organizador da Rio-2016 afirmou que convidará tanto o presidente interino quanto a presidente afastada para a cerimônia de abertura dos Jogos, em 5 de agosto, no Maracanã. Na data, pelo cronograma atual, os trabalhos da comissão especial do Senado que analisa a cassação de Dilma ainda não estarão encerrados. O peemedebista também comentou a proposta, estudada pela petista, de convocar um plebiscito sobre novas eleições presidenciais caso seja reconduzida ao cargo.
O presidente interino afirmou também que será "inevitável" ouvir uma vaia na cerimônia de abertura da Olimpíada. Temer lembrou o dramaturgo Nelson Rodrigues: "No Maracanã até minuto de silêncio é vaiado". O presidente reiterou que não se opõe à presença de Dilma Rousseff na festa. "Do meu ângulo, não será complicado. Terei a mesma educação e cerimônia que sempre tive", declarou.

Processo a Sérgio Machado descartado
Questionado se processaria o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, por conta das acusações de que teria pedido recursos oriundos de propina para o candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo, Gabriel Chalita, em 2012, o presidente interino disse que não fala "para baixo", descartando assim uma ação judicial. Segundo Temer, Machado quer apenas ganhar importância ao bater de frente com a Presidência da República.
"Você acha que eu ia me servir dele, tendo, com toda modéstia, o prestígio que tenho, no cenário nacional, para falar com empresário?", questionou Temer.

Sem aumento de impostos "ainda"
Temer destacou também que não pensa em aumentar imposto "ainda", ao mencionar possíveis futuras medidas de seu governo. "Estou segurando isso, não estou falando em aumento de imposto ainda", disse. Ele defendeu o aumento do funcionalismo aprovado pela Câmara. "Os servidores públicos estavam sem aumento real há bastante tempo, esses acordos tinham sido fechados no governo da senhora presidente. O acordo é útil para o governo", afirmou. 
O presidente afirmou que o corte de gastos tem objeto de incentivar a economia. "Queremos produzir emprego", declarou.

Estadão Conteúdo
    Comente pelo Disqus
    Comente pelo Facebook
#Compartilhe