Aliados de Cunha conseguem adiar votação de recurso na CCJ

Aliados do deputado afastado Eduardo Cunha(PMDB-RJ) conseguiram adiar, nesta quarta-feira (13) a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do recurso apresentado pela defesa do ex-presidente da Câmara contra de sua cassação no Conselho de Ética.
Com manobras como a apresentação de requerimentos e até mesmo a submissão a votação da ata da sessão anterior, os deputados próximos a Cunha conseguiram que a discussão do recurso só se iniciasse depois das 13h. A sessão tinha começado às 10h15.
Com isso, o cronograma do dia atrasou e mesmo com a aprovação de um requerimento, por votação, para encerrar as discussões às 16h40, o presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), aliado de Cunha, decidiu encerrar a sessão por volta das 17h20 e convocar uma nova reunião para as 9h de quinta (14).
A decisão foi anunciada, na presença de Cunha, depois de o presidente interino da Câmara,Waldir Maranhão (PP-MA), dizer que adiaria a sessão que vai escolher o novo comandante da Casa para as 19h -a fim de esperar o resultado da votação na CCJ.
Contudo, em menos de uma hora, Maranhão recuou e firmou acordo para que a sessão no plenário se iniciasse às 17h30. Serraglio reclamou das sucessivas remarcações de horário. Por isso, disse que iria encerrar a sessão.
"A gente não vai se submeter a isso. Convocarei para amanhã de manhã, para nós continuarmos amanhã, às 9h da manhã", afirmou.
Ele foi então informado pelos deputados contrários a Cunha de que, novamente, Maranhão havia remarcado a eleição para as 19h.
"Eu lamento, mas é uma evidente manipulação. Vamos encerrar e votar amanhã", respondeu o presidente da CCJ.
Os deputados contrários à Cunha gritaram em coro "vergonha".
A pressa se justifica para tentar concluir a votação do relatório antes do recesso parlamentar, que tem início na sexta-feira (15).
Com a decisão de adiar a votação, ela possivelmente ocorrerá após eleito o novo presidente da Câmara. Um dos favoritos é Rogério Rosso (PSD-DF), aliado de Cunha.

Votação na CCJ
O relatório do deputado Ronaldo Fonseca (PROS-DF) acolhe apenas um dos 16 questionamentos da defesa sobre supostas irregularidades na tramitação de seu processo -o de que a votação no colegiado ocorreu por chamada nominal, não prevista no regimento, nem no Código de Ética.
Em seu parecer, portanto, ele pede que o processo retorne ao Conselho de Ética, colegiado que votou pela cassação de Cunha. Esse é o principal pleito do ex-presidente.
Os integrantes da Comissão votarão contra ou a favor do relatório de Fonseca.
A maioria dos integrantes da CCJ já havia declarado publicamente ser contrária à volta do processo para o Conselho de Ética.
A CCJ é a principal comissão da Casa, composta por 66 deputados, e são necessários os votos de maioria simples (34) para aprovar o relatório.

Folhapress
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