Cunha se diz "traído" e "abandonado" por Temer

O ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha ficou "furioso" com a falta de apoio do presidente interino Michel Temer à candidatura de Rogério Rosso (PSD-DF), na disputa pelo comando da Casa. O bloco de partidos pequenos e médios, o centrão, também se irritou com Temer, de acordo com a Folha de São Paulo. 
"Traído" e "abandonado" por Michel Temer. Foi assim que Cunha se sentiu, de acordo com aliados. Já o centrão ainda especula uma retaliação diante da atitude do presidente interino. 
Entre as ameaças está a derrubada PEC 31/2016, sobre o limite de gastos públicos - uma da prioridades de Temer. A advertência é baseada na união entre os 170 deputados que escolheram Rosso, assim como os 78 das siglas esquerdistas, que, juntos, podem atraplhar os planos do presidente interino na votação dessa proposta.
Preocupado com o cenário, Temer ligou para líderes do centrão, ainda na sexta-feira (15), garantindo que não quer "desidratar" o bloco, como afirmou ao O Estado de São Paulo, pelo contrário: quer a união da base aliada. Cunha, no entanto, não ficou satisfeito com as justificativas, garantem aliados.

Reunião teria decidido sobre apoio a aliado de Cunha
A irritação de Cunha baseia-se ainda em reunião, realizada em junho deste ano, quando teria ficado combinado que, caso ele deixasse o comando da Casa, Temer apoiaria um aliado, o Rosso. Isso daria um caminho mais favorável ao seu processo de cassação, em andamento na Câmara. 
No entanto, após a vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ), por 285 votos contra 170 concedidos a Rosso, Cunha reuniu aliados e mostrou sua insatisfação. Uma das suspeitas é de que o apoio do PR a Maia foi incentivado pelo Palácio Planalto. Cunha, porém, negou qualquer participação nas articulações ou discussões sobre esse pleito. 
Na próxima terça-feira (19), conforme a Agência Senado, Temer se reúne com Renan Calheiros e Rodrigo Maia para definirem uma pauta conjunta, em meio à qual está a PEC 31/2016, que limita o aumento dos gastos públicos, e a Desvinculação de Receitas da União, dos estados e dos municípios.
Nesse encontro, ainda será discutiva uma lista de projetos considerados relevantes, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 (PLN 2/2016).
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