Dilma e Temer usam Sistema Único de Saúde para negociar votos no processo de impeachment

Enquanto políticos discutiam a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, idas e vindas movimentavam o Ministério da Saúde em torno de votos decisivos no processo.
A disputa por nomeações e a promessa de cargos foram usadas para barganhar votos tanto pela presidente afastada quanto pelo presidente interino, Michel Temer. Nem mesmo a importante coordenadoria-geral de auditoria do Sistema Único de Saúde (SUS), programa que movimentou mais de R$ 100 bilhões em 2015, foi poupada das negociações.
No dia 24 de março, o Diário Oficial da União trouxe a exoneração do então coordenador-geral de auditoria do SUS, João Batista Silva de Ávila, e nomeou Edmilson Suassuna da Silva para a função. Menos de dois meses depois, em 11 de maio, ele foi exonerado. Porém, voltou ao cargo depois que a portaria que o exonerou, em maio de 2016, foi invalidada – ou tornada insubsistente, nos termos tratados pela publicação oficial do governo.
À época, o Ministério da Saúde era comandado pelo ministro Marcelo Castro, deputado federal pelo PMDB do Piauí que assinou as portarias referentes ao Departamento Nacional de Auditoria do SUS. Edmilson Suassuna, titular atual do cargo, trabalhou na campanha do deputado federal pelo PMDB Fábio Reis, representante de Sergipe.
As idas e vindas de Edmilson no Departamento de Auditoria do SUS ocorreram em paralelo com a indecisão do deputado Fábio Reis em relação ao impeachment. O peemedebista, que participou da chapa de seu companheiro de partido e governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), era tido pela equipe de Dilma como voto certo contra o impeachment.

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