Serviços puxam e PIB cearense despenca 5,5% no 1º trimestre

Pela primeira vez em pelo menos cinco anos, a economia cearense iniciou o ano em queda. O Produto Interno Bruto (PIB) relativo ao primeiro trimestre de 2016 teve recuo de 5,51% frente a igual período de 2015. Essa é a primeira queda no indicador registrada de janeiro a março desde 2011, quando teve início a nova série histórica considerada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), que divulgou as informações ontem.
Esse também foi o quarto trimestre consecutivo de queda no PIB, seguindo-se às retrações do segundo (-5,69%), terceiro (-8,60%) e quarto (-7,40%) trimestres de 2015, de acordo com cálculos revisados pelo Ipece. No acumulado dos últimos 12 meses, a retração é de 6,8%. O primeiro trimestre do ano passado permanece até agora como o último em que houve crescimento do PIB (0,92%).
O recuo de 5,51% no Ceará foi mais intenso que a média nacional (-5,4%), mas representa a terceira menor queda em comparação a sete estados que já divulgaram seus indicadores. Na Bahia, houve queda de 3,7%, e no Rio Grande do Sul, a retração foi de 4,3%.
"Em, por exemplo, Pernambuco, que tem uma estrutura produtiva semelhante à do Ceará, houve uma queda de quase 10%. Em São Paulo (-6%), houve uma queda muito forte. Em Minas Gerais (-5,6%), também", destaca o diretor geral do Ipece, Flávio Ataliba. O pior resultado no período foi atingido pelo Espírito Santo (-14,1%).

Maior impacto
O setor que puxou a queda do PIB no início do ano foi o de serviços (-5,21%), que "representam mais de 70% da economia do estado. Quando o setor cai, isso é um destaque para a economia como um todo", diz o analista de politicas públicas do Ipece, Alexander Cavalcante.
Dentre os segmentos do setor, a maior queda foi sentida no comércio (-9,45%), impactado pela alta inflação, pelo encarecimento do crédito e aumento do desemprego, avalia Cavalcante. Também sofreram recuos significativos os segmentos de transportes (-6,9%) e intermediação financeira (-6,65%), atividade tipicamente exercida por bancos.

Indústria
A indústria do Ceará sofreu um recuo de 8,35% no primeiro trimestre deste ano. O segmento de transformação - que inclui a produção de itens como calçados, alimentos e bebidas, diretamente ligados ao consumo das famílias - teve queda no PIB de 10,01%. A construção civil respondeu por uma retração ainda maior (-13,1%), refletindo a redução de empregos e de lançamentos no segmento, avalia o analista de politicas públicas do Ipece, Witalo Paiva.
No setor da indústria, o destaque positivo ficou por conta do segmento de eletricidade, gás e água (12,51%), em função principalmente da forte produção de energia eólica, que passou a ser considerada no cálculo do PIB. "Nós temos uma termelétrica no Pecém que estava acionada devido à crise hídrica nas regiões produtoras na Bahia, no Sul e no Sudeste", acrescenta Paiva.
A agropecuária foi o único dos três setores da economia que registrou variação positiva (8,91%), mas é o que possui menor peso na economia cearense. Influenciou no crescimento as estimativas coletadas de produtores pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com relação à produção de grãos no Ceará em 2016, que são tradicionalmente otimistas nos primeiros meses do ano. "Outro componente é a pecuária. A despeito da crise hídrica, você tem um crescimento na produção de leite. Também aumenta a produção de ovos e de aves", acrescenta Witalo Paiva.
Para os próximos meses, o Ipece espera melhora no PIB do Ceará. "A gente acredita que o novo cenário político traga menos incertezas para a economia, que as pessoas passem a voltar a consumir e as empresas passem a investir", prevê ele. Desconsiderando-se os dados divulgados ontem, a previsão mais recente do Ipece para o fechamento do PIB em 2016 é de queda de 2%. No ano passado, segundo o Instituto, houve retração de 5,3%.

Diário do Nordeste
    Comente pelo Disqus
    Comente pelo Facebook
#Compartilhe