Universidades estaduais estão em greve há cerca de dois meses

Além da greve de professores e alunos de escolas estaduais, em andamento desde o último 25 de abril, as universidades Estadual do Ceará (Uece) e Estadual do Vale do Acaraú (UVA) também estão com funcionamento afetado. Há cerca de dois meses, professores e universitários das duas instituições interromperam atividades em protesto contra o não cumprimento de acordos, dialogados com o governador Camilo Santana (PT). Algumas propostas foram negociadas em 2013, mas não foram cumpridas.
O professor e presidente do Sindicato da Uece (Sindiuece), Célio Coutinho, informou que, além de o governador não ter cumprido acordo estabelecido em 2013 — na greve anterior —, Camilo impôs corte de verbas de custeio desde o segundo semestre de 2015, o que implicou em dívida de R$ 2,9 milhões no fechamento do ano somente na Uece. “A categoria está decepcionada com o Governo”, definiu.
Conforme Coutinho, entre as propostas da categoria, estão a nomeação de 81 professores concursados em 2015, a reforma da Faculdade de Educação de Itapipoca, reajuste salarial de 12,67% e equiparação do salário e da carga horária de trabalho entre substitutos e efetivos. “A gente paralisou disciplinas porque não tem professor. É uma coisa vergonhosa”.
A estudante de Psicologia da Uece Beatriz Costa, 17, está no primeiro semestre e já se deparou com a paralisação. “A gente não tem previsão de quando as aulas vão começar e de quando teremos férias”, lamenta. 

UVA
De acordo com a presidente do Sindicato dos Docentes da UVA (Sindiuva), Sílvia Monteiro, a categoria tem sete reivindicações — quatro delas são “pautas reprimidas” da última greve, que aconteceu em 2014. Entre elas, a nomeação de 39 professores aprovados no concurso de setembro de 2015, a abertura de edital para contratação de outros 27 docentes, a atualização de plano de cargos e carreiras dos professores e o repasse da “verba de custeio” no valor de R$ 2 milhões — dinheiro destinado às contas de água, luz e outros serviços. “O Estado não tem menor interesse em repassar esse dinheiro. A gente não consegue ter transparência da parte deles”, critica.
Reforma e ampliação do campus Junco, em Sobral, e a reposição salarial dos professores são outras demandas da categoria. Segundo Silvia, o prédio do campus Junco corre risco de desabamento.

Saiba mais
A Uece tem 69 cursos – sendo 32 no Interior. O número de cursos afetados pela greve não foi informado pela assessoria de imprensa do órgão, que consolidará a informação somente quando a rotina da universidade se normalizar.
A UVA possui quatro campi em Sobral. Unidades espalhadas pelo Estado que levam o nome da instituição apenas têm cursos ofertados por meio de convênio, não sendo um campus da UVA.

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