Veículo atinge multidão em celebração do Dia da Bastilha em Nice

Um caminhão atingiu, na noite desta quinta-feira (14), várias pessoas que estavam celebrando o Dia da Bastilha, em Nice, na França.
A prefeitura da cidade já trata o atropelamento, que aconteceu por volta das 22h30 (17h30, horário de Brasília), no Promenade des Anglais, como um atentado terrorista e faz um apelo para que as pessoas não saiam de casa. Segundo o procurador de Nice, ao menos 70 pessoas teriam morrido no ataque, de acordo com uma primeira contagem feita pelos bombeiros.
Testemunhas presentes no local, neste sentido, afirmam que o clima era de pânico e muita correria para todos os lados. O jornal "Nice Matin", que estava com representantes no local acompanhando a celebração, corrobora com os relatos ainda desencontrados, afirmando que 'dezenas de pessoas' ficaram feridas.
O periódico também publicou imagem que mostra um caminhão branco cercado por policiais e com o vidro dianteiro atingido por vários tiros. Relatos dão conta de que a polícia entrou em confronto com o motorista para tentar impedir a tragédia.

"Ato criminoso", diz secretário 
"Foi um ato criminoso que deixou dezenas de mortos", declarou o secretário regional do Interior, Sébastien Humbert, ao canal BFMTV, acrescentando que "há uma centena de feridos".
"O caminhão atropelou a multidão em um longo trecho da avenida beira-mar, o que explica o elevado número de mortos", disse Humbert. O secretário assinalou que "houve troca de tiros e o motorista do caminhão foi morto".
O presidente francês, François Hollande, que estava em Avignon (sudeste), voltou a Paris parachefiar a célula de crise montada no ministério do Interior na madrugada de quinta para sexta-feira (hora local), indicou a presidência francesa.
Hollande "está reunido com (o primeiro-ministro) Manuel Valls e (o ministro do Interior) Bernard Cazeneuve. Ele voltou a Paris e se dirigirá diretamente à célula de crise", montada no ministério do Interior.
Em Washington, a Casa Branca informou que o presidente americano, Barack Obama, já foi informado sobre o mais recente atentado em solo francês.
"O presidente foi informado sobre a situação em Nice, na França, e sua equipe de Segurança Nacional vai atualizá-lo, conforme o caso", afirmou o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Ned Price.

Pânico na Riviera
No local do ataque, conhecido como Passeio dos Ingleses, na orla de Nice, foi montado um amplo perímetro de segurança, com a presença de tropas militares e grupos especiais da polícia, constatou a AFP.
O veículo, um caminhão branco, atropelou as pessoas a grande velocidade, provocando um movimento de pânico na orla, muito frequentada por turistas, especialmente no dia da festa nacional francesa.
"Havia gente machucada e destroços por todos os lados em meio aos gritos", declarou o jornalista da AFP.
Várias ambulâncias foram enviadas ao local, isolado por policiais e militares, que se concentravam na praça Masséna, totalmente bloqueada às 23H30 (18H30 Brasília), constatou a AFP.
Este é o segundo atentado mais sangrento cometido na Europa nos últimos anos, superado apenas pelos ataques em Paris, em novembro de 2015, com 130 mortos. O ataque contraBruxelas, em março de 2016, fez 32 vítimas fatais.
Os ataques a Paris e Bruxelas foram reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico.
O atentado em Nice ocorre em um contexto de ameaça terrorista muito elevada, especialmente na França, envolvida em ações militares na Síria contra o Estado Islâmico.
O massacre acontece menos de duas semanas antes do final programado para o estado de emergência na França, previsto para o dia 26 de julho.

Data simbólica
O dia 14 de julho, na França, comemora os meses seguintes à queda da Bastilha (1789), em Paris, durante a Revolução Francesa. A partir de tal data (14 de julho de 1790), em evento da Federação, buscava-se construir um novo ideal para a nação.
O país tem sido alvo de inúmeros ataques terroristas nos últimos tempos, e o fato de tragédia de hoje ter ocorrido em tal data tão especial para o povo francês reforça a tese (agora já tratada como oficial) de que a ação foi, de fato, premeditada por grupos terroristas.

AFP
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