Baixa possibilidade de fenômeno La Niña diminui chances de chuva

Ainda é cedo para definir as probabilidade de chuvas para o próximo ano – o que deve ocorrer somente na segunda quinzena de janeiro – mas o quadro climático não é dos melhores. É alta a possibilidade de o fenômeno La Niña – um dos principais aliados para o registro de chuvas no Ceará – ocorrer no trimestre setembro, outubro, novembro de 2016, mas ter curta duração. Aparentemente, ele não deve se estender até o segundo trimestre de 2017 – março, abril e maio – meses com maior percentual de chuvas no Estado, o que está deixando os meteorologistas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) cautelosos.
O La Niña, como afirma o meteorologista da Funceme, David Ferran, precisaria ser de maior intensidade para garantir um ano bom em precipitações. “Caso a previsão mostrasse uma persistência da Niña até maio, estaríamos mais otimistas, pois nunca houve ano seco quando tivemos Niña até o fim da quadra chuvosa. Mas, essa tendência de neutralidade nos deixa mais cautelosos”, explica. A neutralidade a que se refere é a das temperaturas do Pacífico entre os meses de março, abril e maio de 2017. Ou seja, sem alteração na temperatura do oceano, nem para baixo, nem para cima. Se esquentasse, o fenômeno seria La Niña, se esfriasse, El Niño.
De acordo com o meteorologista Ferran, desde 1950, condições de neutralidade como essa, no trimestre em questão, ocorreram em 38 anos. Desses, no Ceará, houve seca em 12; as chuvas ficaram na média em 13 e os outros 13 foram chuvosos. “As estatísticas mostram que, se persistirem essas condições, a informação passada pelas temperaturas do Pacífico é muito indefinida e teremos que olhar com mais atenção para o Atlântico para elaborar os prognósticos oficiais e isso deverá ser feito no início de 2017, mais próximo da quadra chuvosa”, afirma Ferran. O quadro se mostra diferente de 2015, quando as análises feitas indicavam 65% da probabilidade das chuvas ficarem abaixo da média no Estado entre fevereiro e abril de 2016.

Temperatura dos oceanos
A preocupação de Ferran é semelhante a da geógrafa do Laboratório de Climatologia Geográfica e Recursos Hídricos da Universidade Federal do Ceará, Elisa Zanella. “As águas do Atlântico mais quentes vão posicionar a zona de convergência intertropical. Se as águas estiverem mais quentes abaixo do equador, ocasionando mais chuvas não se adianta falar nada agora é muito cedo. Sobre a situação neutra estimada no Pacifico, a especialista conta que “é mais animador do que se tivermos com o El Niño fundamental certo”, explica.
Elisa defende a necessidade de se realizar um melhor monitoramento das águas do Oceano Atlântico, visto que boa parte de nossas chuvas são ocasionadas graças aos movimentos realizado no Atlântico. A esperança está nele. “Com o El Niño as chuvas abaixo da media no Pacifico, não quer dizer que as chuvas estão abaixo da média. Nos estamos no mês de agosto e muito cedo inclusive para fazer previsão para o próximo ano”. A especialista ressalta que o ideal é realizar o levantamento para o mês de outubro.

Situação preocupante
A Funceme divulgou também um comparativo do volume de água do Açude Castanhão. Na foto, é possível notar uma diminuição significativa de água do reservatório quando comparado ao mesmo período de 2012.


Diário do Nordeste
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