Justiça decreta prisão da primeira-dama de Aracati

A primeira-dama e ex-secretária de Aracati, Eline Gomes de Oliveira Costa, está sendo considerada foragida da Justiça. Isso porque, desde a última segunda-feira (15), o juiz da 3ª Vara da Comarca de Aracati, Jamyerson Câmara Bezerra, decretou sua prisão temporária e até o momento ela não foi encontrada. 
Eline é esposa do atual prefeito Ivan Silvério e era titular da Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Renda do município, até ser afastada no início deste ano, após a divulgação de um vídeo nas redes sociais em que uma de suas assessoras aparece recebendo propina de uma empresária.
No dia 6 de maio, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), através da Promotoria de Justiça da Comarca de Aracati e do Grupo de Atuação Especial de Combate a Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou a operação “Lata Velha”, quando foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, sendo um deles na residência da primeira-dama.
As investigações apontavam para um esquema de pagamento de propina, no âmbito da Secretaria a qual Eline Gomes de Oliveira Costa era titular, estimando um pagamento de 20% do valor de cada obra executada por parte do empresariado. O suborno era destinado à primeira-dama e aos seus assessores, Sandra Lúcia Martins da Silva e Regineide Martins da Silva, como forma de troca de favores entre as partes.

Interesse na obstrução da investigação
Segundo o que foi apurado, durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de Eline Gomes, a primeira-dama ligou para uma pessoa, alertando sobre a ação da Justiça, afirmando: “cuidado aí com algum documento”, demonstrando claramente o interesse em obstruir a investigação. 
Em outro momento, Eline entrou em contato com uma interlocutora para saber se algum documento relevante foi apreendido durante a operação do Ministério Público na Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Renda.
“Mostra-se relevante o colhido no referido procedimento no qual deixa entrever a existência de fatos graves praticados por agentes públicos em conluio com terceiros para a realização de obras pela Prefeitura de Aracati, sendo que tal conluio visava pagamento de comissões vinculadas a licitações manipuladas. (…) O caso em apreço revela um possível crime de bando ou quadrilha. Entretanto, o seu desenrolar traz uma parte obscura, agravado pela conduta da investigada, conforme se extrai do colhido na interceptação telefônica”, explicou o magistrado da 3ª Vara de Aracati na decisão.
O esquema fraudulento foi denunciado por uma empresária, Ana Paula Silva do Vale, que repassava as propinas por meio de depósitos bancários e entregues em espécie às investigadas, tendo ocorrido em uma oportunidade a gravação em vídeo da entrega do dinheiro na residência da denunciante.

Diário do Nordeste
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