Alexandre de Moraes diz que só soube da prisão de Palocci durante a operação

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou, durante evento em São Paulo, que só foi informado da nova etapa da Operação Lava Jato, que prendeu o ex-ministro petista Antonio Palocci, por volta das 6h15 desta segunda-feira (26), quando a operação já estava sendo realizada.
Neste domingo (25), segundo o jornal "O Estado de S. Paulo", que presenciou a conversa, Moraes disse a ativistas do MBL (Movimento Brasil Livre) que nesta semana haveria operação. "Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim", disse o ministro a membros do grupo que apoiou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
A Polícia Federal (PF), que executa as operações no âmbito da Lava Jato, é subordinada ao Ministério da Justiça. Não é usual que ministros saibam das operações antes de elas ocorrerem. Moraes afirmou que isso não aconteceu, e disse que a declaração dada a membros do MBL foi "genérica".
"Foi uma afirmação genérica e eu diria [que] as operações vão continuar. Hoje houve operação, esta semana deve haver mais operações, semana que vem, enquanto houver necessidade de operações, a Lava Jato vai continuar", disse Moraes nesta segunda.
"Desde que eu assumi, há quase cinco meses, nós não tivemos uma semana sem grandes operações porque são necessárias, não porque o ministro quer, porque o juiz quer, porque o procurador da República quer, porque a Polícia Federal quer, mas, infelizmente, porque há corrupção."
Questionado, o ministro disse que, como é praxe, só foi informado sobre a prisão de Palocci no início da manhã, "exatamente hoje, a partir das 6h15".

Lava Jato e eleições
Moraes também foi perguntado sobre a proximidade entre as prisões de ex-integrantes de governos do PT e as eleições municipais. Ele negou que haja viés político na Lava Jato.
"Não houve nenhuma operação em relação ao partido X ou Y. Houve operação com ordem judicial em relação a pessoas que vêm sendo investigadas. Em virtude disso, acabaram, segundo tanto o Ministério Público Federal quanto o juiz Sergio Moro, estando presentes indícios de autoria e provas de materialidade que permitem prisão temporária ou busca e apreensão", disse.
"Não é possível parar investigações em curso em virtude de eventos que ocorrem normalmente no Brasil. As eleições de dois em dois anos são eventos normais, democráticos, já institucionalizados. Se nós formos parar de dois em dois anos as investigações, nunca vai se chegar a lugar nenhum", completou.

Folhapress
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