AO VIVO: Câmara vota pedido de cassação de Eduardo Cunha

A Câmara dos Deputados decide, nesta segunda-feira (12), o futuro do mandato do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em sessão extraordinária, os parlamentares devem votar o parecer do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), aprovado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar no dia 14 de junho.
A sessão extraordinária começou às 19h, mas foi suspensa, por uma hora, pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O presidente justificou que não havia quórum para o início da sessão. Por volta das 20h25, a sessão foi reaberta com 357 deputados presentes no Plenário. 
O processo foi iniciado com a fala do relator, Marcos Rogério, que tinha 25 minutos para discursar. O deputado disse que Eduardo Cunha é o dono das contas na Suíça e que o banco suíço afirma que o patrimônio é do peemedebista e que é ele quem possui o controle da conta.
Marcos Rogério disse também que a cassação de Cunha demonstra um compromisso da Câmara com a ética e o decoro parlamentar. O deputado afirmou que as investigações da Operação Lava-Jato confirmam as apurações feitas pelo Conselho de Ética e que seu voto é pela cassação de Eduardo Cunha.
O advogado do peemedebista, Marcelo Nobre, fez a defesa do deputado. Ele disse que a conta de Cunha na Suíça não existe e questionou qual o número dessa conta. Nobre pediu ainda aos deputados para que eles não criassem "um precedente de linchamento, que não julguem sem provas". No fim, o advogado solicitou que os parlamentares fizessem uma reflexão e disse que não havia provas.

Em sua fala, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) afirmou que o processo contra ele, que pode resultar na cassação do seu mandato, é de natureza política e não tem provas. Ao fazer sua própria defesa no plenário da Câmara, Cunha atacou o governo do PT, disse que está sendo perseguido e que o processo é uma “vingança”.
"Eu estou pagando o preço de ter o meu mandato cassado por ter dado continuidade ao processo de impeachment. É o preço que eu estou pagando para o Brasil ficar livre do PT", disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
“O processo de impeachment que está gerando tudo isso. Eles querem troféu para dizer que é golpe. Tivemos o prazer, e isso ninguém vai conseguir tirar, por mais que o PT xingue, chore, o governo deles foi embora e graças a atividade feita por mim que aceitei o processo de impeachment”, discursou Cunha.
Falando de improviso, Cunha fez um histórico de sua atuação parlamentar de quatro mandatos e sobre o processo. Ele disse que faria uma fala política e não das questões técnicas.
Segundo ele, boa parte do plenário sequer conhece o processo.No momento, há 448 deputados na Câmara, 427 na sessão. A partir de agora falarão os deputados inscritos. Cada um terá 5 minutos para discutir o processo, 35 deputados se inscreveram para falar. 

ASSISTA AO VIVO:

O parecer que será votado nesta segunda concluiu que Cunha mentiu em depoimento espontâneo à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, em maio de 2015, quando disse não possuir contas no exterior. O deputado afastado, no entanto, nega que tenha mentido à CPI, argumentando que as contas estão no nome de um trust familiar contratado por ele para administrar seus recursos no exterior.
Eduardo Cunha foi afastado das funções de deputado federal em maio deste ano por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O peemedebista também esteve afastado também da presidência da Casa até 7 de julho, quando renunciou ao cargo.

Rito de votação 
Como confirmado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a votação do parecer seguirá o mesmo rito das votações anteriores de perda de mandato. Entretanto, alertou que qualquer tentativa de dividir a votação e analisar separadamente a manutenção ou não dos direitos políticos do processado dependerá de decisão soberana do Plenário.
Em relação a eventuais iniciativas de deputados aliados de Cunha, Maia afirmou que não vai impedir a apresentação de questões de ordem, destacando que um recurso à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) com efeito suspensivo contra a decisão da presidência dependerá do apoio de um terço dos presentes em Plenário.
    Comente pelo Disqus
    Comente pelo Facebook
#Compartilhe