Há "muita coisa a ser privatizada" no Brasil, diz Henrique Meirelles à revista

Confirmado ministro da Fazenda em maio deste ano, Henrique Meirelles, em entrevista à revista Época, comentou a atual situação do Brasil e suas prioridades para este ano. Questionado pela publicação quando veremos a primeira privatização sob as novas regras aprovadas pelo Congresso, ele disse que o plano de privatizações e concessões será anunciado com detalhamento até sexta-feira (16). 

Segredo do projeto para Brasil crescer em 3 itens, segundo Meirelles
"O que podemos dizer: o segredo de um projeto bem-sucedido diz respeito a três coisas. Primeira, previsibilidade de regras; segunda, oferta de taxas de retorno consistentes com alternativas de investimento no Brasil e no mundo; terceira, preços mínimos compatíveis com o retorno previsto no investimento. O que nos dá confiança no processo?", afirmou.
Existe grande liquidez global, com a injeção de liquidez dos grandes bancos centrais e a falta de oportunidades, dado o crescimento sólido, mas baixo, da economia mundial. E existem oportunidades no Brasil. O Estado é grande, existe um número razoável de estatais, muita coisa a ser privatizada", completou. 

Rodovias, ferrovias e portos são os alvos do plano, que deve gerar R$ 22 bi este ano
"E existe demanda. No Brasil, o tamanho continental, a produção no interior do país, não só no agronegócio, e a deficiência de investimento em infraestrutura fazem com que haja uma demanda grande. Quem viaja pelo Brasil vê as filas de caminhões, as estradas ruins. O que se desperdiça no transporte oneroso e ineficiente é mais que suficiente para pagar rodovias, ferrovias e portos de qualidade. A previsão de receitas com concessões e outorgas em 2016 é de R$ 22 bilhões, dos quais R$ 21 bilhões já foram arrecadados. Projetamos um pouco abaixo de R$ 24 bilhões para essa arrecadação em 2017, um número conservador e factível", completou o ministro.

Reforma da Previdência será entregue em setembro
Henrique Meirelles ainda frisou que detalhes da reforma da Previdência, como idade mínima e regras de transição, ainda não estão definidos. No entanto, garantiu que o projeto será apresentado até o fim deste mês.
"Basicamente, ela precisará ter uma idade mínima, como há em vários países, para evitar que a pessoa se aposente quando ainda tem muitos anos de mercado de trabalho pela frente. Isso é fundamental. E temos de assegurar que haja um período mínimo de contribuição".
Apesar da reforma dificultar o acesso à aposentadoria, o ministro da Fazenda acredita que o convencimento se dará à medida que se mostre aos congressistas e à população que "a reforma tem como objetivo garantir o acesso à aposentadoria e aos benefícios no futuro".
"A reforma é para o país crescer, gerar empregos e ter recursos para pagar uma Previdência justa, correta, de acordo com a realidade. A mensagem tem de ser: assegurar a todos o direito a algo que eles vão, de fato, receber", comentou.

Aumentos para funcionários públicos
Ele ainda comentou a discussão do Congresso de dar aumentos para os funcionários públicos. "Sobre os salários do funcionalismo existe uma discussão sobre alocação de despesas. O pressuposto é que o país e a máquina pública continuem a funcionar". 
Questionado sobre o risco de algum estado brasileiro quebrar, ele afirmou que o que a União poder fazer pelos estados, já fez.
"O que estamos fazendo agora é dar assistência técnica para que os estados contenham o crescimento das despesas. É importante a aprovação do teto dos gastos para os estados nos mesmos termos do federal, que já está incorporado no acordo e num projeto de lei.  Os estados já têm essa definição, que, de um lado, os obriga a cumprir regras e, de outro, dá condições políticas para governadores negociarem com servidores", finalizou.
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