Seca: La Niña se afasta e gera alerta no Ceará

O prognóstico de bom inverno para o próximo ano está cada dia mais distante de se configurar.
A esperança era não só a chegada do La Niña (esfriamento do Oceano Pacífico Equatorial) trazendo boas perspectivas de chuvas para os meses de outubro, novembro, como também que ele ganhasse corpo em dezembro e janeiro, aumentando as chances de uma quadra chuvosa acima da média histórica.
Entretanto, o fenômeno está perdendo força, lamentam meteorologistas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Climatempo.
Mesmo assim, a possibilidade de novo ano seco está longe de ser confirmada, pois com o El Niño descartado e a neutralidade das águas oceânicas, a esperança se volta para o Oceano Atlântico Tropical, nas proximidades do Nordeste.
"Com as águas mais aquecidas ao Sul do Equador quando comparadas com o Norte, as chuvas relacionadas à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ficam mais propícias de acontecer. Vamos aguardar mais um pouco", explica o meteorologista da Funceme, Raul Fritz.

Verão
A combinação de período com temperatura do Oceano Atlântico desfavorável com o forte El Niño ocorrido entre 2015 e 2016 interferiu negativamente no ciclo de chuva do Nordeste nos últimos cinco anos, aponta o meteorologista da Climatempo, Alexandre Nascimento.
A falta de chuva no verão e outono de 2016 sobre o Nordeste não pode ser atribuída apenas ao El Niño, explica, mas o fenômeno potencializou o quadro de seca que já estava instaurado no Nordeste.
"No verão 2015/2016, a precipitação veio forte sobre a Bahia e em outros estados do Nordeste. Mas a escassez de chuva foi o que predominou no restante da estação. A costa leste também teve um período chuvoso fraco este ano", comenta.
Mas agora as perspectivas são completamente diferentes, garante. O El Niño já terminou e não há previsão que o fenômeno retorne até o fim deste ano e nem em 2017. Ao longo da primavera de 2016, deve haver a formação de um evento La Niña com fraca intensidade.
Este fenômeno é contrário ao El Niño e é caracterizado por águas oceânicas mais frias do que o normal na porção central e leste do Pacífico Equatorial. "A não existência desse fenômeno na primavera de 2016 e no verão 2016/2017 é uma das principais condições que sustentam a esperança de uma previsão de que a chuva retorna ao Nordeste no próximo ano". Isso deve ser observado nos próximos meses.
"Em outubro pode chover acima da média. Será bom para molhar o solo". Por enquanto, assevera, a probabilidade que se apresenta é de que no Atlântico as águas favorecem condições para as chuvas no Nordeste, especialmente o Norte da região, incluindo o Ceará. "Se esta situação persistir, 2017 será um ano de boa quadra chuvosa", declara.
Conforme Raul Fritz, ainda é cedo para ter certeza. "Temos que observar como o Atlântico vai se comportar". Ele diz que o Estado precisa de uma boa estação chuvosa, acima de média, mas com as condições quase neutras do Pacífico, podemos ter só o período entre fevereiro e maio de chuvas na média histórica.
O prognóstico de bom inverno para o próximo ano está cada dia mais distante de se configurar. A esperança era não só a chegada do La Niña (esfriamento do Oceano Pacífico Equatorial) trazendo boas perspectivas de chuvas para os meses de outubro, novembro, como também que ele ganhasse corpo em dezembro e janeiro, aumentando as chances de uma quadra chuvosa acima da média histórica.
Entretanto, o fenômeno está perdendo força, lamentam meteorologistas da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Climatempo.
Mesmo assim, a possibilidade de novo ano seco está longe de ser confirmada, pois com o El Niño descartado e a neutralidade das águas oceânicas, a esperança se volta para o Oceano Atlântico Tropical, nas proximidades do Nordeste.
"Com as águas mais aquecidas ao Sul do Equador quando comparadas com o Norte, as chuvas relacionadas à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ficam mais propícias de acontecer. Vamos aguardar mais um pouco", explica o meteorologista da Funceme, Raul Fritz.

Diário do Nordeste
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