Vazão de hidrelétrica era maior quando Domingos Montagner se afogou

Na hora em que o ator Domingos Montagner morreu, no último dia 15 de setembro, a vazão da hidrelétrica de Xingó (SE), próximo do local do acidente, era cerca de 12% maior do que na hora anterior, segundo o documento divulgado pelo site "The Intercept Brasil" na última quarta (28).
A primeira informação sobre o afogamento do ator chegou aos bombeiros às 13h56 daquela quinta-feira, o que sugere que o acidente tenha acontecido pouco tempo antes. De acordo com dados da Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco, administradora da usina), na faixa entre 13h e 14h, o fluxo de água liberado pela hidrelétrica de Xingó, a 2 quilômetros rio acima da Prainha, subiu de 814 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 913 m3/s.  Às 15h, o volume atingiu o ápice do dia, chegando a 970 m3/s. Nas horas seguintes, houve redução gradativamente.
As novas informações contradizem dados oferecidos pela Chesf na época do acidente. A companhia afirmara que a vazão de água era de 600 m3/s devido a uma seca histórica. Alegara, ainda, que as comportas da usina estavam fechadas naquela quinta.
O aumento no fluxo de água é realizado nos horários de pico do uso da rede elétrica para fornecer mais energia. Com isso, a correnteza aumenta rio abaixo.

Alterações
A vazão da hidrelétrica de Xingó tem sofrido alterações durante 2016.
No início do ano, uma liminar estabeleceu vazão mínima liberada pelo reservatório de Xingó, entre Sergipe e Alagoas, em 900 m3/s. Expedida pela 9ª Vara da Justiça Federal em Própria (SE), a decisão fazia parte de uma ação civil pública movida por colônias de pescadores do Estado, que alegavam prejuízos socioeconômicos devido às frequentes reduções no Baixo São Francisco.
O novo limite mínimo de 900 m3/s foi autorizado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e, desde o fim de fevereiro, vinha sendo praticado a contragosto pela Chesf - maior vazão significa esvaziamento do reservatório, o que pode comprometer o abastecimento da região durante períodos de estiagem; por outro lado, há aumento do fluxo rio abaixo, favorecendo pescadores locais
A liminar foi cassada em março, e a vazão no reservatório de Xingó voltou ao nível de 800 m3/s no dia 17 daquele mês. A partir de outubro, a vazão da hidrelétrica de Xingó poderá ser novamente reduzida -agora para 700 m3/s.
A determinação segue solicitação do setor elétrico para não reduzir a vazão antes desse período, e foi tomada na segunda-feira (26), na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília, durante reunião para avaliar os efeitos da defluência reduzida.
De acordo com um porta-voz do CBHSP (Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco)que preferiu o anonimato, a decisão não tem relação com a morte de Montagner, mas, sim, com estudos apresentados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sobre a previsão hidrológica para a bacia até o final do ano.
A reportagem tentou contato com a assessoria da Chesf, mas não teve retorno até as 15h.

Folhapress
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