Guia de Atualidades: 15 temas que são apostas para a prova do Enem

O candidato ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) estuda como trabalha um garimpeiro. Das ciências, das linguagens, dos códigos e da matemática, extrai o que sabe que pode dar a ele mais vantagens sobre os concorrentes. Mas, para além do conteúdo aprendido nos livros, é do cotidiano, das relações interpessoais e do acompanhamento de notícias que se tira o verdadeiro diferencial para a prova: atualidades são “a cara” do Enem.
Engana-se, porém, quem acredita que esse conteúdo vem a calhar somente na prova de Redação. É costume o exame trazer entre suas 180 questões objetivas assuntos da atualidade que dialogam com as áreas do conhecimento exigidas, principalmente as que se referem às Ciências Humanas e suas Tecnologias.
No ano passado, o tema feminismo foi abordado a partir do fragmento de um texto da filósofa francesa Simone de Beauvoir. O item se iniciou com a frase “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher” e surpreendeu a militância da causa, que comemorou e reproduziu amplamente a pergunta nas redes sociais.
Por outro lado, é de praxe encontrar entre as questões referências a acontecimentos internacionais. Em 2011, época em que fervia a chamada Primavera Árabe — onda de protestos e revoltas em países como Tunísia e Egito —, o Enem apresentou aos candidatos texto sobre como o acesso de jovens árabes à Internet ajudou na mobilização dos manifestantes que foram às ruas derrubar governos ditadores.

Sem polêmicas
Na contramão da última edição, que trouxe à tona o feminismo, é possível que, este ano, o Enem não discorra sobre grandes polêmicas. Professores consideram que, devido ao atual “alinhamento político” brasileiro, desenvolvido durante e após o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a prova tende a ser mais branda.
O professor Maurício Manoel, do Colégio José de Alencar, explica a tendência: “A prova vai ser um pouco mais tradicional, intimista, sem temáticas tão progressistas”.
Coordenador e professor do Academia Enem — cursinho preparatório oferecido gratuitamente pela Prefeitura de Fortaleza —, Fábio Frota corrobora o entendimento: “Impeachment é algo que não deve cair, nem temas que tenham a ver com o Governo ou que coloquem em pauta a Presidência”, afirma.

Apostas
O que pode, então, ser abordado no Enem 2016? Nas próximas páginas deste caderno especial, você confere apostas tanto dos professores Maurício Manoel e Fábio Frota como do diretor de ensino e tecnologia educacional do Ari de Sá, Ademar Celedônio, e do professor de Redação do Farias Brito, Sousa Nunes.
Para cada tema, preparamos uma breve contextualização de forma a ajudar os que estão se preparando para a prova. Boa leitura!

1) Situação dos refugiados 
A chamada Primavera Árabe foi uma onda de revoltas populares contra ditaduras no norte da África e no Oriente Médio. Na tentativa de tirar o presidente Bashar al-Assad do poder, os sírios iniciaram protestos pacíficos, que tiveram repressão violenta e se tornaram uma guerra. O conflito que começou na Síria, e prossegue até hoje, espalhou-se por vários países vizinhos, derrubando governos diversos. A turbulência começou em 2011 e ainda não acabou. Até o momento, mais de 4 milhões de pessoas foram forçadas a deixar suas casas para sobreviver aos ataques. De um lado, rebeldes e grupos extremistas sequestram e recrutam jovens para matar na guerrilha. De outro, o governo confisca bens, realiza torturas e prisões arbitrárias. Enquanto órgãos internacionais falham em mediar uma solução, o número de mortos e refugiados aumenta.
A guerra na Síria agrava a crise humanitária que já havia no mundo, com grandes deslocamentos de pessoas vindas de países como Afeganistão, Sudão do Sul e Somália. Desde 2014, o número de refugiados superou o da Segunda Guerra Mundial, ultrapassando 50 milhões de pessoas.

2) Zika e a microcefalia
O zika vírus chegou ao Brasil em meados de 2014, mas, naquela época, não causava pânico nem era o centro dos estudos em saúde. Afinal, provocava doença benigna e não progressiva. Preocupava menos que a dengue, igualmente transmitida pelo Aedes aegypti.
O cenário mudou quando, em 2015, configurou-se o quadro de epidemia da doença no Brasil e pesquisadores locais confirmaram a relação do zika com o crescente número de bebês nascidos com microcefalia. A partir desse fato, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a epidemia como emergência de saúde pública de preocupação internacional.
Era temido que o zika proliferasse mundialmente durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro em agosto deste ano, já que estariam no País atletas e turistas de várias nacionalidades, mas a OMS informou que não foram relatados casos confirmados da doença entre os participantes do evento.

3) Centenário do samba
No dia 27 de novembro de 1916 foi registrada a música Pelo telefone, de autoria de Donga e Mauro de Almeida e considerada o primeiro samba gravado no Brasil. Em 2016, a canção completa 100 anos de existência e provoca onda de comemorações em todo o País.
Embora tenha origem afro-baiana, o samba se desenvolveu na zona portuária do Rio de Janeiro. Naquela época, tão grande era a quantidade de personalidades reunidas em sambas de roda que até hoje se questiona a autoria de Pelo telefone. Vale ficar de olho. O Enem gosta de abordar centenários.

4) Gestão dos resíduos sólidos
Diariamente, só o Ceará produz cerca de nove mil toneladas de lixo. Do total, 5,8 mil toneladas têm destinação final adequada, enquanto que o restante é descartado irregularmente em lixões que existem no Estado — mesmo que a Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010 tenha estabelecido que esses locais fossem eliminados até 2014.
Mais do que investir no processo de coleta e destinação final dos resíduos sólidos, discute-se atualmente o papel da população no tratamento desses resíduos a partir do reúso e do uso sustentável deles. Em Fortaleza, a Prefeitura começou a multar aqueles que produzem mais de 100 litros diários e que não possuem um plano de gerenciamento desse material.

5) Interferência da tecnologia nas relações humanas
Não é novidade que boa parte da sociedade atual usa excessivamente a tecnologia para sustentar suas relações interpessoais. O que se discute é: em que momento essa dependência deixa de ser aceitável e se torna vício? 
Exemplo de como a tecnologia afeta as relações humanas pode ser ilustrado pelo jogo de realidade aumentada Pokémon GO. O aplicativo foi lançado no Brasil em agosto de 2016 e, em pouco mais de uma semana, tornou-se o maior em número de usuários da história do mercado americano, superando outros aplicativos como Netflix, Twitter e Spotify.
O Pokémon GO imerge o usuário no universo dos pokémons, exibindo os monstrinhos na tela do celular para que eles sejam capturados. Entretanto, para usar todas as funções do game, exige-se que o jogador caminhe pela cidade.

6) Violência urbana 
O Mapa da Violência diz que a principal vítima da violência urbana no Brasil é a juventude. A pesquisa mostra que, entre os anos 1980 e 2014, 1,3 milhão de crianças e adolescentes foram assassinados no País, o que representa 53% do total de homicídios no período.
Entre os fatores apontados por especialistas como catalisadores desse processo estão a disseminação da cultura da violência, os índices de desigualdade socioeconômica e a regressão nas políticas públicas de desarmamento.
Em outubro de 2015, comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou texto que flexibiliza o Estatuto do Desarmamento (lei 10.826/03). O projeto reduz de 25 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas no País, estende o porte para autoridades como deputados e senadores e assegura a todos que cumprirem os requisitos mínimos exigidos em lei o direito de possuir e portar armas de fogo para legítima defesa ou proteção do próprio patrimônio. O texto segue ainda para aprovação no Plenário.

7) Economia compartilhada
Vinda do termo inglês (sharing economy), a economia compartilhada é vista como tendência de consumo. No Brasil e no mundo, apostam nesse modelo de negócio empresas como Netflix, Spotify, AirBnB e Uber, por exemplo. Para além do universo corporativo, há experiências de mobilidade urbana conduzidas pelo poder público, como, no caso de Fortaleza, as bicicletas compartilhadas e os carros compartilhados.
Todos esses modelos oferecem ao cliente facilidade de adesão e de experimentação, sempre na busca pela democratização do acesso. As empresas que lideram este mercado entendem que, atualmente, é melhor e mais rentável adquirir um serviço do que um bem. Ou seja, sob essa perspectiva, melhor seria ser usuário do que proprietário.
O problema é que esse novo modelo desestabiliza o mercado tradicional. Tomemos o (aplicativo) Uber como exemplo. Assim que chegou ao Brasil, a categoria de taxistas repudiou o serviço por considerá-lo concorrência desleal.

8) Analfabetismo político
Nos últimos dois anos, O Brasil teve sua conjuntura política modificada rapidamente e diversas vezes. Houve impeachment, posse de vice-presidente, prisões de homens públicos. Nas redes sociais, debates sobre o assunto polarizam a população. Mas quem faz mais do que ler os títulos das notícias que informam sobre esses acontecimentos? Política pode ser tratada pela ótica da participação e esclarecimento. 

9) Morar na rua
O Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDS) estimava, em 2015, que, no Brasil, 50 mil adultos e 24 mil crianças e adolescentes moravam nas ruas. 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro sobre o assunto. No artigo 4º, discorre que “é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”.
O que ocorre, entretanto, é que ainda não há um acompanhamento eficiente do problema. Tanto que crianças e adolescentes são facilmente vistos vivendo ou trabalhando nas ruas hoje. O Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca-CE) entende que esse contexto “coloca a criança ou adolescente em situação de grande vulnerabilidade à violência e a outras violações, como ao direito à moradia, à educação, ao lazer etc.”.

10) Esporte para inclusão social
Cada medalha conquistada por atletas brasileiros durante as Olimpíadas de 2016 significou o ápice de uma história de superação. Isso porque, no País, investimentos na área são ainda insuficientes se comparados aos de nações que compreendem o desporto como ferramenta eficaz de inclusão social. Em Fortaleza, a principal iniciativa que busca essa associação são as areninhas — projeto que requalifica campinhos de futebol. Na esfera federal, a União trabalha com a Lei de Incentivo ao Esporte, que possibilita a empresas e pessoas físicas investir parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos esportivos. 

11) Mobilidade urbana
Em junho de 2016, de acordo com estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o Brasil tinha 50,5 milhões de automóveis concentrados, principalmente, nas regiões Sul e Sudeste do País.
Somado aos efeitos colaterais da emissão de gases causadores do efeito estufa, o inchaço de automóveis no País têm feito a sociedade repensar a dependência do carro particular como principal meio de deslocamento.
Por isso, têm ganhado cada vez mais a atenção do poder público iniciativas como o estímulo ao uso da bicicleta e do transporte coletivo para viagens pendulares (de casa para o trabalho e vice-versa).
Além disso, busca-se diminuir a quantidade de acidentados no trânsito com a redução da velocidade em determinados trechos de ruas e avenidas.

12) Pessoas com deficiência
Em vigor desde janeiro de 2016, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.146/2015) busca garantir condições de acesso à educação, saúde e moradia aos que possuírem qualquer deficiência física, mental, sensorial ou intelectual. 
A lei estabelece, também, punição a quem, em razão da deficiência da pessoa: recusar ou cobrar dela valores adicionais em estabelecimento de ensino; impedir sua inscrição em concurso público ou acesso a qualquer cargo ou emprego público; negar a ela emprego, trabalho ou promoção; recusar, retardar ou dificultar internação ou deixar de prestar assistência médico-hospitalar e ambulatorial.
No que diz respeito a questões de mobilidade, a lei também modifica o Estatuto da Cidade quando estabelece que os municípios devem promover melhorias das calçadas, dos passeios públicos, do mobiliário urbano e dos demais espaços de uso público.

13) Economia de água
Entre 2014 e 2015, São Paulo passou por uma das mais graves crises hídricas da história. Por falta d’água, o Distrito Federal, em 2016, também começou a sofrer racionamento. O Ceará, você já deve saber: enfrenta o quinto ano consecutivo de estiagem. O Brasil sente, dessa forma, cada vez mais a urgência de economizar água.
No Ceará, há muito tempo se discute a possibilidade de racionamento, mas o Governo tem preferido aguardar que a população se conscientize e busque formas de economizar. Enquanto isso, há taxa extra para quem não reduziu consumo.

14) Legado das Olimpíadas
Em 2016, o Brasil sediou dois dos maiores eventos esportivos do mundo: as Olimpíadas e os Jogos Paralímpicos. Os eventos ocorreram na cidade do Rio de Janeiro, mas não por isso deixaram de provocar polêmicas em todo o País.
Antes de os jogos serem realizados, eram foco das preocupações obras de mobilidade e de infraestrutura projetadas para que a cidade pudesse receber o evento. Na época em que o Brasil sediou a Copa do Mundo, por exemplo, algumas intervenções que não conseguiram ser concluídas a tempo dos jogos permanecem até hoje inacabadas.

15) O adeus do Reino Unido
Num processo de ruptura conhecido mundialmente como Brexit, britânicos foram às urnas em junho de 2016 e votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia.
A decisão foi pautada, principalmente, pela incompatibilidade de posicionamentos, especialmente no que diz respeito a relações comerciais e políticas de migração.

O POVO Online
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